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Escreve-me.

Parte de mim esta feliz com sua partida, com o fim da história que só existia em nossa mente. Outra parte, (a maior ,receio) ainda espera que você me escreva dizendo: "Descobri que não vivo sem você". Não porque eu te amo mas pela necessidade que tenho de saber que não fui a única a guardar lembranças. Por favor, perdoe o motivo egoísta, não quer dizer que nunca te amei, se é que amei...não sei na verdade mas se tivesse certeza não seria especial. Queria uma palavra sua só pra saber o que esconde aí no seu íntimo e o que pensa da mensagem que eu te escrevi e que até hoje você não respondeu...por medo...ou desprezo.

O fim

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Meu amado tem o sorriso casto
e a face de neve que só toquei em sonho
Ele é o anjo que veio e esvaiu-se
deixando-me aqui com o olhar tristonho.

Ah! e tantas vezes pensei em roubar-lhe um beijo
mas não ousei sequer tomar-lhe pela mão
pude apenas ao vê-lo tremer enamorada
e admirá-lo suspirando de paixão.

Anjo de Amor, foste meu desejo mais divino
todo esse amor cândido e puro que te votei
chegou ao fim...minha insana ilusão!
agora sofro porque tanto te amei.

(Larissa Rocha)

O homem é diferente do poeta.

Na literatura, temos vários exemplos de como a obra do escritor não condiz com seu estilo de vida. Temos Machado de Assis,a obra machadiana é cercada por casamentos mau sucedidos e cheios de hipocrisia mas na vida real,segundo relatos,Machado de Assis foi muito feliz em seu casamento. Mas na verdade o que me fez escrever esse post foi o exemplo dado pela minha professora de literatura sobre Olavo Bilac. Numa época dentro do realismo,onde o assunto para as produções literárias eram as questões sociais,houve um grupo de poetas (os parnasianos) que não estavam nem aí pra escrever sobre isso,um deles era Olavo Bilac. Mas minha professora falou que apesar dele não escrever sobre causas sociais estava diretamente ligado a elas. Então ela disse a frase que é o titulo da postagem "o homem é diferente do poeta". Então eu resolvi discutir sobre isso porque tudo que eu escrevo é sempre diretamente ligado à minha vida,as coisas que sinto,que penso. Gosto de dizer por isso,que minhas poe…

Alma minha gentil, que te partiste

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Camões é o maior poeta lírico do classicismo português. No seguinte soneto percebemos a sua genialidade em combinar a forma rígida do classicismo com o tema do amor platonico de um jeito comovente. Ele usa o eufemismo para se referir à morte ("Repousa lá no Céu eternamente) , a amada foi transcedentalizada no verso "Se lá no assento etéreo, onde subiste".


Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente,
E viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta sida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou
(Camões)

Ismália

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Este é um poema simbolista como podemos perceber pelo subjetivismo, a descrição de Ismália faz nos sentirmos como num sonho, a personagem transporta-se para outra realidade que é o transedentalismo, além da preferência pela sugestão por exemplo: percebemos que Ismália se atirou da torre, se suicidou, mas o poeta descreve esse fato de maneira tão vaga e imprecisa que os não acostumados com poesia talvez precisem ler mais de uma vez para interpretar.


Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...
(Alphonsus de Guimaraens)

Adeus, meus sonhos

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Álvares de Azevedo é meu poeta favorito porque sempre que eu preciso, eu leio um verso dele e sinto como se tivesse sido escrito pra mim é como se ele realmente soubesse o que está se passando, como se me entendesse.



Adeus, meus sonhos, eu pranteio e morro!
Não levo da existência uma saudade!
E tanta vida que meu peito enchia
Morreu na minha triste mocidade!

Misérrimo! votei meus pobres dias
À sina doida de um amor sem fruto...
E minh’alma na treva agora dorme
Como um olhar que a morte envolve em luto.

Que me resta, meu Deus?!... morra comigo
A estrela de meus cândidos amores,
Já que não levo no meu peito morto
Um punhado sequer de murchas flores!
(Álvares de Azevedo)

Soneto de fidelidade

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Eu assisti à reprise do show do Roberto Carlos em Jerusalém e em uma música ele declamava um poema que é esse abaixo, já conhecia o poema mas agora estou postando no blog, o poema intercalado com a música era realmente de arrepiar.


De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
(Vinicuis de Morais)