Uma das minhas historias para o concurso literário do http://olivrodofimdomundo.com.br/ :
Nossa!
16h15min e a TV já está uma loucura! Essas emissoras são tão carniceiras, não deveria ser anti ético exibir o desespero das pessoas? Mas enfim,pensando bem já que o mundo vai acabar em uma hora eles não devem estar muito preocupados com os lucros. Mas isso me lembra...Caramba,o mundo vai acabar em uma hora!! Na verdade agora são apenas...vejamos...ah sim,50 minutos. Que azar o meu! logo agora que eu tinha acabado de me formar na faculdade,se eu soubesse que o mundo ia acabar não teria estudado engenharia aeroespacial e sim filosofia que sempre foi um dos meus hobbys favoritos,perdi o maior tempo com toda aquela mecânica e física, agora o mundo está prestes a acabar e pelo menos a filosofia teria me ajudado a reagir a isso.
Ah,ótimo,o vizinho acaba de pular da janela. Sinceramente não sei o que passa na cabeça dessas pessoas,será que elas não sabem lidar com o fim eminente? acham que saquear lojas e colocar fogo na cidade vai adiantar alguma coisa? Não! Acabou, hasta la vista,baby, game over! não é tão difícil entender,vou desligar a televisão,toda essa zona está me dando dor de cabeça.
Ali está o Mozart, em baixo da mesa coitado! Deve estar assustado com essa baderna. Mozart foi um grande amigo,lindo cão da raça boxer,desde a primeira vez que o vi ainda filhotinho foi amor à primeira vista,comprei-o logo que me mudei para o Rio de Janeiro e coloquei o nome do grande compositor,acho que isso dá a ele um ar de inteligencia. Agora reflito sobre tudo que eu construí,nunca tive uma família de verdade,não conheci meu pai e minha mãe passou a vida inteira bêbada demais pra notar minha presença na casa...meu telefone tocou,é justamente ela...não atendo,desculpe mãe mas não sinto sua falta. Na verdade Mozart é a única saudade que levo desta vida.
Quanto tempo falta? Isso me lembra que eu tenho que comprar pilhas para o relógio...ah,na verdade não preciso não, o mundo vai acabar em 20 minutos. Quer saber? só vou escolher um CD aqui...que tal "Dark side of the moon" do Pink Floyd? É,esse é bom,eu diria até épico. CD escolhido,vou ficar aqui com Mozart,desculpem mas essa cena não deixa de ser tragi-cômica, o mundo acabando lá fora e eu em baixo da mesa abraçando um cachorro. Agora só restam 5 minutos e por algum motivo as lágrimas escorrem do meu rosto,Mozart me lançou aquele olhar de cortar o coração,um olhar de despedida que me fez juntá-lo ainda mais ao meu corpo... Está tudo bem amigão,tenho certeza de que existe um céu para os cachorros...
17h15min.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Súplica (II)
Olha pra mim, amor, olha pra mim;
Meus olhos andam doidos por te olhar!
Cega-me com o brilho de teus olhos
Que cega ando eu há muito por te amar.
O meu colo é arminho imaculado
Duma brancura casta que entontece;
Tua linda cabeça loira e bela
Deita em meu colo, deita e adormece!
Tenho um manto real de negras trevas
Feito de fios brilhantes d`astros belos
Pisa o manto real de negras trevas
Faz alcatifa, oh faz, de meus cabelos!
Os meus braços são brancos como o linho
Quando os cerro de leve, docemente…
Oh! Deixa-me prender-te e enlear-te
Nessa cadeia assim eternamente! …
Vem para mim,amor…Ai não desprezes
A minha adoração de escrava louca!
Só te peço que deixes exalar
Meu último suspiro na tua boca!...
Meus olhos andam doidos por te olhar!
Cega-me com o brilho de teus olhos
Que cega ando eu há muito por te amar.
O meu colo é arminho imaculado
Duma brancura casta que entontece;
Tua linda cabeça loira e bela
Deita em meu colo, deita e adormece!
Tenho um manto real de negras trevas
Feito de fios brilhantes d`astros belos
Pisa o manto real de negras trevas
Faz alcatifa, oh faz, de meus cabelos!
Os meus braços são brancos como o linho
Quando os cerro de leve, docemente…
Oh! Deixa-me prender-te e enlear-te
Nessa cadeia assim eternamente! …
Vem para mim,amor…Ai não desprezes
A minha adoração de escrava louca!
Só te peço que deixes exalar
Meu último suspiro na tua boca!...
(Florbela Espanca)
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Uma ligação para Helena
Essa é a minha favorita das que eu ja escrevi para http://olivrodofimdomundo.com.br/.
Era 16:15 quando soube da notícia do fim do mundo e eu só conseguia pensar em uma coisa,na verdade em alguém, Helena. Moro na Paraíba e ela em São Paulo, nos conhecemos pela internet mas a distância não impediu que eu me apaixonasse perdiamente por ela. Helena tem um sorriso assim meio que distraído mas capaz de tirar o fôlego de qualquer um. É uma imagem que não sai da minha cabeça: ela com a pele branca e os cabelos negros e ondulados caindo-lhe nos ombros. Passei noites em claro conversando online com ela, não acredito que vou morrer sem nunca ter visto Helena, sem nunca ter a tocado, uma vez juntos eu acordaria todos os dias mais feliz em saber que ela estaria ao meu lado. O mundo não poderia acabar sem que ela soubesse o que eu sentia então peguei o celular e deslizei as mãos trêmulas pelo touch screen procurando o número dela na memória,tinha gravado há um tempo atrás mas nunca liguei pois não tinha coragem, até aquele dia. Não era a mesma operadora que a minha o que tornava a ligação ainda mais cara mas naquele momento eu não me importava com isso.
Chamou uma vez...duas...ela atendeu:
- Alô?
- Helena! aqui é o Eduardo.
- Edu? que surpresa você me ligar.
Ela provavelmente não sabia ainda, continuei:
- Olha Helê, vai parecer loucura mas tem uma coisa que você precisa saber...
- Vai levar muito tempo? -ela me interrompeu- é que eu tô meio ocupada aqui além do mais você vai gastar uma grana com essa ligação.
- Não importa!! -gritei, e logo em seguida controlei meu tom de voz para não assustá-la- não importa quanto custa a ligação e seja o que for que você estiver fazendo não vai mais adiantar, a única coisa que importa é o que eu vou falar agora, tá?
- Esse papo tá muito doido mas parece importante,pode falar, tô ouvindo.
- Helê, eu te amo, não ri, eu te amo de verdade, queria estar aí com você, te abraçar e sentir seu cheiro, você é a garota mais incrível que eu já conheci.
Houve um breve silêncio do outro lado da linha, ela estava provavelmente tentando processar a informação então falou:
- Edu, eu não sei nem o que te dizer, só que eu tô apaixonada por você, eu tambem te amo.
- É um momento estranho para dizer isto mas eu gostaria de ter te conhecido melhor...
- Mas a gente vai poder se conhecer melhor, né?
- Não, tem mais uma coisa...o mundo...
- O que tem o mundo?
- O mundo vai acabar!
- O mundo vai o quê?
- Acabar! alô? Helena,Helena pode me ouvir? alô?
Ela não podia mais me ouvir. Não sabia quanto tempo ainda restava até dar 17:15, perdi completamente a noção do tempo mas foi assim que passei meus últimos minutos: sentado pensando em Helena e encarando um pedaço de papel amassado que tinha na mão,estava planejando dar a ela quando nos víssemos pela primeira vez, porém apenas meu corpo estava lá, minha mente viajou para um lugar onde Helena e eu poderíamos passear de mãos dadas e sermos felizes para sempre mas infelizmente aquele era o maldito dia 21/12/2012.
... O que diziam as letras quase apagadas do papel:
"A longa distância apenas serve para unir o nosso amor.
A saudade serve para me dar a absoluta certeza de que ficaremos para sempre unidos...
E nesse momento de saudade,
quando penso em você,
quando tudo está machucando o meu coração
e acho que não tenho mais forças para continuar;
eis que surge tua doce presença,
com o esplendor de um anjo;
e me envolvendo como uma suave brisa aconchegante...
Tudo isso acontece porque amo e penso em você..."
(William Shakespeare)
Era 16:15 quando soube da notícia do fim do mundo e eu só conseguia pensar em uma coisa,na verdade em alguém, Helena. Moro na Paraíba e ela em São Paulo, nos conhecemos pela internet mas a distância não impediu que eu me apaixonasse perdiamente por ela. Helena tem um sorriso assim meio que distraído mas capaz de tirar o fôlego de qualquer um. É uma imagem que não sai da minha cabeça: ela com a pele branca e os cabelos negros e ondulados caindo-lhe nos ombros. Passei noites em claro conversando online com ela, não acredito que vou morrer sem nunca ter visto Helena, sem nunca ter a tocado, uma vez juntos eu acordaria todos os dias mais feliz em saber que ela estaria ao meu lado. O mundo não poderia acabar sem que ela soubesse o que eu sentia então peguei o celular e deslizei as mãos trêmulas pelo touch screen procurando o número dela na memória,tinha gravado há um tempo atrás mas nunca liguei pois não tinha coragem, até aquele dia. Não era a mesma operadora que a minha o que tornava a ligação ainda mais cara mas naquele momento eu não me importava com isso.
Chamou uma vez...duas...ela atendeu:
- Alô?
- Helena! aqui é o Eduardo.
- Edu? que surpresa você me ligar.
Ela provavelmente não sabia ainda, continuei:
- Olha Helê, vai parecer loucura mas tem uma coisa que você precisa saber...
- Vai levar muito tempo? -ela me interrompeu- é que eu tô meio ocupada aqui além do mais você vai gastar uma grana com essa ligação.
- Não importa!! -gritei, e logo em seguida controlei meu tom de voz para não assustá-la- não importa quanto custa a ligação e seja o que for que você estiver fazendo não vai mais adiantar, a única coisa que importa é o que eu vou falar agora, tá?
- Esse papo tá muito doido mas parece importante,pode falar, tô ouvindo.
- Helê, eu te amo, não ri, eu te amo de verdade, queria estar aí com você, te abraçar e sentir seu cheiro, você é a garota mais incrível que eu já conheci.
Houve um breve silêncio do outro lado da linha, ela estava provavelmente tentando processar a informação então falou:
- Edu, eu não sei nem o que te dizer, só que eu tô apaixonada por você, eu tambem te amo.
- É um momento estranho para dizer isto mas eu gostaria de ter te conhecido melhor...
- Mas a gente vai poder se conhecer melhor, né?
- Não, tem mais uma coisa...o mundo...
- O que tem o mundo?
- O mundo vai acabar!
- O mundo vai o quê?
- Acabar! alô? Helena,Helena pode me ouvir? alô?
Ela não podia mais me ouvir. Não sabia quanto tempo ainda restava até dar 17:15, perdi completamente a noção do tempo mas foi assim que passei meus últimos minutos: sentado pensando em Helena e encarando um pedaço de papel amassado que tinha na mão,estava planejando dar a ela quando nos víssemos pela primeira vez, porém apenas meu corpo estava lá, minha mente viajou para um lugar onde Helena e eu poderíamos passear de mãos dadas e sermos felizes para sempre mas infelizmente aquele era o maldito dia 21/12/2012.
... O que diziam as letras quase apagadas do papel:
"A longa distância apenas serve para unir o nosso amor.
A saudade serve para me dar a absoluta certeza de que ficaremos para sempre unidos...
E nesse momento de saudade,
quando penso em você,
quando tudo está machucando o meu coração
e acho que não tenho mais forças para continuar;
eis que surge tua doce presença,
com o esplendor de um anjo;
e me envolvendo como uma suave brisa aconchegante...
Tudo isso acontece porque amo e penso em você..."
(William Shakespeare)
A saideira
Olá pessoal, vou postar aqui no blog os contos que eu escrevi para o site do Livro do Fim do Mundo (http://olivrodofimdomundo.com.br/) espero que gostem:
- Alô, Rafa... cara, eu tive um sonho muito louco!
- Tá mas pera aí, porque você estava dormindo às quatro da tarde?
- São quatro e quinze!
- Ah Lucas! uns minutos a mais ou a menos, quê importa?
- Olha cara, eu sonhei que o mundo ia acabar em uma hora e foi tão real, tô com uma sensação estranha...
- Eu sei do que você precisa, vamos aproveitar que hoje é sexta e bora sair pra beber nessa porra! tô passando ai no seu apê.
- beleza, até mais!
quando o Rafa chegou na minha casa eram quatro e meia, eu entrei no carro dele e decidimos ir àquele barzinho na Barra. Eu fui calado a maior parte do caminho, fui observando a paisagem e a vida parecia normal e tranquila, bem...tranquila pros padrões de uma cidade como Salvador, foi quando paramos no sinal e de repente um homem bateu no meu lado do vidro (que por sorte não quebrou)com uma barra de ferro. Era um sujeito mal vestido e que com certeza cheirava mal também e fixou o olhar em mim como se quisesse dizer algo mas meu momento de perplexidade passou quando o Rafa gritou "assalto!" e deu uma ré brusca no carro de pelo menos uns 5 metros, sorte que não haviam outros veículos atrás, depois aceleramos em direção ao homem que ficou parado olhando enquanto avançávamos o sinal.
- Tá tudo bem aí Lucas?
- Tá.
- Que loucura!
Loucura mesmo, "o que será que ele queria comigo?", fui pensando enquanto Rafa falava algo sobre o quão violenta a cidade está, logo me convenci que estava exagerando,talvez meu amigo tenha razão e eu só precise de uma cervejinha pra esfriar a cabeça.
Chegamos no bar e pedimos a bebida:
- garçom, traz uma aqui pro meu amigo que tá pensando que o mundo vai acabar! Então, me conta mais sobre seu sonho.
- não lembro!
Mas eu lembrava e foi desesperador.
- Ânimo Lucas! carnaval vem aí! - Ele sempre começava a se animar pelo menos 2 meses antes mas agora algo me dizia "não dessa vez".
- Ah! não gosto muito de carnaval. - Respondi vagamente.
- Nem eu, mas a gente só vai pra pegar mulher!!
- Rafa, o mundo está prestes a acabar...eu sinto.
- Tá bom, digamos que o mundo vai mesmo acabar mas e aí?
- E aí o que?
- Qual é seu grande plano, ô gênio??
- Nenhum.
- Ajudaria se a gente sei lá, procurasse um abrigo subterrâneo?
- Nem um pouco.
Ambos fomos surpreendidos pela certeza com que essas palavras saíram da minha boca e tive a leve sensação que meu amigo acreditou por um instante.
- Cara! o mundo vai acabar!
- Pera aí Lucas! o que você tá fazendo?
- Eu tô chorando não tá vendo?
- Para com isso, vão pensar que você é gay!
- Tá bem.
- Está bêbado! uma cervejinha só e você já tá bêbado, parece um moleque! esquece essa história de fim do mundo! garçom, desce outra geladinha!
Após um breve silêncio ele falou:
- Então, que horas você disse que o mundo vai acabar mesmo?
- Cinco e quinze.
- Bem, agora são cinco horas...sabe o que quer dizer? que ainda dá tempo de uma saideira!
- Claro.
Eu refleti sobre esse episódio, tinha um nó na garganta, e se outras pessoas tivessem sido avisadas? e se fosse pra eu fazer alguma coisa? eu poderia salvar o mundo? talvez aquele homem no sinal tinha as respostas para mim... talvez fosse um aviso pra que eu fizesse algo a respeito mas eu estou aqui enchendo a cara num bar. Foi aí que Rafa interrompeu meu pensamento erguendo o copo:
- Um brinde!
- À quê?
- Ao fim do mundo... e à nossa vida, não foi perfeita mas nos divertimos!
- Claro amigo!
Após o brinde eu virei meu copo de cerveja como se fosse o último...e de fato era.
(Larissa Rocha)
- Alô, Rafa... cara, eu tive um sonho muito louco!
- Tá mas pera aí, porque você estava dormindo às quatro da tarde?
- São quatro e quinze!
- Ah Lucas! uns minutos a mais ou a menos, quê importa?
- Olha cara, eu sonhei que o mundo ia acabar em uma hora e foi tão real, tô com uma sensação estranha...
- Eu sei do que você precisa, vamos aproveitar que hoje é sexta e bora sair pra beber nessa porra! tô passando ai no seu apê.
- beleza, até mais!
quando o Rafa chegou na minha casa eram quatro e meia, eu entrei no carro dele e decidimos ir àquele barzinho na Barra. Eu fui calado a maior parte do caminho, fui observando a paisagem e a vida parecia normal e tranquila, bem...tranquila pros padrões de uma cidade como Salvador, foi quando paramos no sinal e de repente um homem bateu no meu lado do vidro (que por sorte não quebrou)com uma barra de ferro. Era um sujeito mal vestido e que com certeza cheirava mal também e fixou o olhar em mim como se quisesse dizer algo mas meu momento de perplexidade passou quando o Rafa gritou "assalto!" e deu uma ré brusca no carro de pelo menos uns 5 metros, sorte que não haviam outros veículos atrás, depois aceleramos em direção ao homem que ficou parado olhando enquanto avançávamos o sinal.
- Tá tudo bem aí Lucas?
- Tá.
- Que loucura!
Loucura mesmo, "o que será que ele queria comigo?", fui pensando enquanto Rafa falava algo sobre o quão violenta a cidade está, logo me convenci que estava exagerando,talvez meu amigo tenha razão e eu só precise de uma cervejinha pra esfriar a cabeça.
Chegamos no bar e pedimos a bebida:
- garçom, traz uma aqui pro meu amigo que tá pensando que o mundo vai acabar! Então, me conta mais sobre seu sonho.
- não lembro!
Mas eu lembrava e foi desesperador.
- Ânimo Lucas! carnaval vem aí! - Ele sempre começava a se animar pelo menos 2 meses antes mas agora algo me dizia "não dessa vez".
- Ah! não gosto muito de carnaval. - Respondi vagamente.
- Nem eu, mas a gente só vai pra pegar mulher!!
- Rafa, o mundo está prestes a acabar...eu sinto.
- Tá bom, digamos que o mundo vai mesmo acabar mas e aí?
- E aí o que?
- Qual é seu grande plano, ô gênio??
- Nenhum.
- Ajudaria se a gente sei lá, procurasse um abrigo subterrâneo?
- Nem um pouco.
Ambos fomos surpreendidos pela certeza com que essas palavras saíram da minha boca e tive a leve sensação que meu amigo acreditou por um instante.
- Cara! o mundo vai acabar!
- Pera aí Lucas! o que você tá fazendo?
- Eu tô chorando não tá vendo?
- Para com isso, vão pensar que você é gay!
- Tá bem.
- Está bêbado! uma cervejinha só e você já tá bêbado, parece um moleque! esquece essa história de fim do mundo! garçom, desce outra geladinha!
Após um breve silêncio ele falou:
- Então, que horas você disse que o mundo vai acabar mesmo?
- Cinco e quinze.
- Bem, agora são cinco horas...sabe o que quer dizer? que ainda dá tempo de uma saideira!
- Claro.
Eu refleti sobre esse episódio, tinha um nó na garganta, e se outras pessoas tivessem sido avisadas? e se fosse pra eu fazer alguma coisa? eu poderia salvar o mundo? talvez aquele homem no sinal tinha as respostas para mim... talvez fosse um aviso pra que eu fizesse algo a respeito mas eu estou aqui enchendo a cara num bar. Foi aí que Rafa interrompeu meu pensamento erguendo o copo:
- Um brinde!
- À quê?
- Ao fim do mundo... e à nossa vida, não foi perfeita mas nos divertimos!
- Claro amigo!
Após o brinde eu virei meu copo de cerveja como se fosse o último...e de fato era.
(Larissa Rocha)
domingo, 29 de janeiro de 2012
Arte de amar
Na década de 1920 tivemos no Brasil uma revolução na arte com a Semana de arte moderna, esse foi o contexto para a literatura do modernismo caracterizada pelo rompimento com a arte academica, simbolismo e parnasianismo. Manuel Bandeira foi um dos representantes desse movimento literário.
Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.
(Manuel Bandeira)
Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.
(Manuel Bandeira)
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Senhora da Saudade
Senhora da saudade
Como eu vos quero bem, senhora da saudade!
lírio preto que sois pois viveis de preto,
parodiando um martírio estranho e predileto
de um torvo coração, vivendo na orfandade.
E assim não me quereis, senhora da saudade!
vós, toda compaixão, vós toda meu afeto,
nascida para estar num mundo mais secreto,
a partilhar Amor, Carinhos e Bondade.
e bem triste que sou e bem tristonho vivo,
cativo dessa Dama e dessa Flor cativo
eu tão velhinho já na minha mocidade!...
e ah! sonho de meu amor, estranhamente santo,
ouvi o que vos digo, estático de espanto:
- como eu Vos quero bem, senhora da saudade!...
(Euricles de Matos)
Como eu vos quero bem, senhora da saudade!
lírio preto que sois pois viveis de preto,
parodiando um martírio estranho e predileto
de um torvo coração, vivendo na orfandade.
E assim não me quereis, senhora da saudade!
vós, toda compaixão, vós toda meu afeto,
nascida para estar num mundo mais secreto,
a partilhar Amor, Carinhos e Bondade.
e bem triste que sou e bem tristonho vivo,
cativo dessa Dama e dessa Flor cativo
eu tão velhinho já na minha mocidade!...
e ah! sonho de meu amor, estranhamente santo,
ouvi o que vos digo, estático de espanto:
- como eu Vos quero bem, senhora da saudade!...
(Euricles de Matos)
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
A poesia baiana do século XX
Primeiro eu gostaria de agradecer as visitas que o blog está tendo,estamos bem no comecinho mas ainda quero fazer dele uma referência em literatura na internet (sonhos altos rsrs). Segundo, esse post é pra falar do livro que eu ganhei, é uma antologia organizada por Assis Brasil: "A poesia baiana do século XX" (o título é auto explicativo). Como baiana eu fiquei muito feliz em conhecer mais um pedacinho da nosso literatura então eu fui selecionando alguns que eu mais gostei (só esclarecendo meus poemas favoritos são os sonetos com tema de amor, etc) para mostrar pra vocês. Esse primeiro foi interessante porque uma coisa que eu gosto de fazer com os livros de poesia é abrir numa pagina aleatória então foi o que eu fiz, o poema escolhido é o que eu vou postar a seguir, o mais interessante é como quase sempre eu escolho aleatoriamente combinam com meu estado de espírito no momento.
Encantamento
São saudades de um Bem que nunca tive
as que sofro, disseram-me. Em verdade,
um Bem me sorriu na primeira idade,
gozando-O em sonhos muita vez estive...
foi-se-me a conquistá-Lo, a mocidade,
minha vida senti como em declive...
e onde esse Bem que sei para mim vive,
por Quem sou cavaleiro da saudade?....
vê-Lo não me bastava. e não me basta
guardá-Lo hoje somente na lembrança
-segredo em forma de anjo- pura e casta!
Encantamento! os olhos no céu ponho
e, alma aberta, tê-Lo-ei, doce esperança,
baixando à terra -o Bem que foi meu sonho!
(Euricles de Matos)
Simplesmente amei esse poema!!!
O autor tem influencias simbolistas como Cruz e Sousa, ele fala desse "Bem" que foi o sonho dele e a letra maiúscula nos leva a crer que ele fala de uma pessoa.
P.S. o poema acima é um soneto, mas tive um problema na formatação do texto.
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