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Júlio Dinis

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Júlio Dinis é o pseudônimo de Joaquim Guilherme Gomes Coelho, romancista português nascido na cidade do Porto em 1839. Uma de suas obras mais importantes é As pupilas do senhor reitor, quanto a forma ele é considerado um escritor de transição entre o romantismo e o realismo.

Hoje, quando te vi, estavas cismando;
em que cismavas tu, virgem formosa,
desmaiadas as faces cor-de-rosa
e o seio, o gentil seio, inquieto arfando?

Em que cismavas tu? De quando
em quando elevavas ao céu, triste. saudosa,
a vista amortecida, lacrimosa,
para a baixar depois em gesto brando.

No chão jaziam murchas, desfolhadas,
as rosas, que ainda há pouco te toucavam,
agora já por ti abandonadas.

Os últimos clarões do sol douravam
as tuas belas tranças desatadas;
diz, que íntimos anelos te turbavam?

(Júlio Dinis)

Se eu morresse amanhã (Álvares de Azevedo)

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Autopsicografia (Fernando Pessoa)

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O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração. (Fernando pessoa, em cancioneiro)

A poesia

Nessas ruas desertas e melancólicas Nas florestas iluminadas nas campinas bucólicas sim, eu vejo poesia. e ela se estente poeticamente pelos corações

ridicularmente para quem não entende. e o que seria se não essa poética patética um presente da natureza para os homens para que preencham o vazio de suas almas.

E a poesia vem da Alma o poema é a poesia transcrita o poeta é um abençoado não pela graça divina pela Poesia... sim amigos poetas! cantemos!

(Larissa Rocha)

Versos íntimos (Augusto dos Anjos)

Hoje vou falar um pouco do pré modernismo, no início do século XX a arte no Brasil seguia o modelo que vinha da Europa, era o momento de buscar um conhecimento mais real e profundo das condições de vida que podiam ser observadas em um país tão grande como o nosso, por isso a produção literária foi fragmentada e vários autores escreviam sobre suas diferentes regiões. É impossível tratar o pré modernismo como uma escola literária, ele é um período de transição que conserva várias tendências estéticas (parnasianismo, simbolismo). Como não existe um padrão estético para a produção literária adota-se um principio cronológico : começa em 1902 com a publicação de Os Sertões e 1922 semana de arte moderna. Os principais autores do pré modernismo são Euclides da Cunha, Graça Aranha e Augusto dos Anjos. No poema a seguir podemos perceber a métrica e rima rígidas típicas do parnasianismo.


Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão — esta pantera —
Foi tu…

Livros e flores (Machado de Assis)

Versinhos do dia xD Teus olhos são meus livros.
Que livro há aí melhor,
Em que melhor se leia
A página do amor?

Flores me são teus lábios.
Onde há mais bela flor,
Em que melhor se beba
O bálsamo do amor?

(Machado de Assis)

Não te amo (Almeida Garrett)

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Não te amo, quero-te: o amar vem d’alma.
E eu n’alma - tenho a calma,
A calma - do jazigo.
Ai! não te amo, não.

Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida - nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai, não te amo, não!

Ai! não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.

Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.
Quem ama a aziaga estrela
Que lhe luz na má hora
Da sua perdição?

E quero-te, e não te amo, que é forçado,
De mau, feitiço azado
Este indigno furor.
Mas oh! não te amo, não.

E infame sou, porque te quero; e tanto
Que de mim tenho espanto,
De ti medo e terror...
Mas amar!... não te amo, não.

Almeida Garrett, in 'FolhasCaídas'