domingo, 25 de março de 2012

Moça linda bem tratada (Mário de Andrade)

Moça linda bem tratada,
Três séculos de família,
Burra como uma porta:
Um amor.

Grã-fino do despudor,
Esporte, ignorância e sexo,
Burro como uma porta:
Um coió.

Mulher gordaça, filó,
De ouro por todos os poros
Burra como uma porta:
Paciência...

Plutocrata sem consciência,
Nada porta, terremoto
Que a porta de pobre arromba:
Uma bomba.
(Mário de Andrade)

quarta-feira, 21 de março de 2012

Os perfumes (Castro Alves)

O Perfume é o invólucro invisível,
Que encerra as formas da mulher bonita.
Bem como a salamandra em chamas vive,
Entre perfumes a sultana habita.

Escrínio aveludado onde se guarda
— Colar de pedras — a beleza esquiva,
Espécie de crisálida, onde mora
A borboleta dos salões — a Diva.

Alma das flores — quando as flores morrem,
Os perfumes emigram para as belas,
Trocam lábios de virgens — por boninas,
Trocam lírios — por seios de donzelas!

E ali — silfos travessos, traiçoeiros
Voam cantando em lânguido compasso
Ocultos nesses cálices macios
Das covinhas de um rosto ou dum regaço.

Vós, que não entendeis a lenda oculta,
A linguagem mimosa dos aromas,
De Madalena a urna olhais apenas
Como um primor de orientais redomas;

E não vedes que ali na mirra e nardo
Vai toda a crença da Judia loura...
E que o óleo, que lava os pés do Cristo,
É uma reza também da pecadora.

Por mim eu sei que há confidências ternas,
Um poema saudoso, angustiado,
Se uma rosa de há muito emurchecida,
Rola acaso de um livro abandonado.

O espírito talvez dos tempos idos
Desperta ali como invisível nume...
E o poeta murmura suspirando:
"Bem me lembro... era este o seu perfume!"

E que segredo não revela acaso
De uma mulher a predileta essência?
Ora o cheiro é lascivo e provocante!
Ora casto, infantil, como a inocência!

Ora propala os sensuais anseios
D'alcova de Ninon ou Margarida,
Ora o mistério divinal do leito,
Onde sonha Cecília adormecida.

Aqui, na magnólia de Celuta
Lambe a solta madeixa, que se estira.
Unge o bronze do dorso da cabocla,
E o mármore do corpo da Hetaíra.

É que o perfume denuncia o espírito
Que sob as formas feminis palpita...
Pois como a salamandra em chamas vive,
Entre perfumes a mulher habita.

(Castro Alves)

segunda-feira, 19 de março de 2012

Este seu olhar (Tom Jobim)

Versinhos do dia :D

Este seu olhar quando encontra o meu
Fala de umas coisas
Que eu não posso acreditar
Doce é sonhar, é pensar que você
Gosta de mim como eu de você

Mas a ilusão quando se desfaz
Dói no coração de quem sonhou
Sonhou demais, ah! se eu pudesse entender
O que dizem os seus olhos

quarta-feira, 14 de março de 2012

Dia nacional da poesia

hoje, 14/03 é o dia nacional da poesia, esse ano ele me pegou desprevenida e com tanta coisa da escola pra fazer acabei não pensando em nada pra comemorar, porem como esse é o 1º ano do blog vou contar aqui como começou meu amor pela poesia. Bem, desde criança sempre fui incentivada pela minha mãe a escrever e gostava muito disso, cresci escrevendo...contos, historias e tudo mais, quando eu era 8º serie li pela 1ª vez um poema de Álvares de Azevedo(L) e aí já viu né? amor à primeira vista! No 1º ano do ensino médio, precisei escrever um poema para a aula de historia da arte sobre romantismo, desde aí não parei mais de escrever poemas, estudei literatura e cada escola literária me ajudou a crescer nas minhas poesias e assimilei caracteristicas do meus queridos trovadorismo, classicismo, romantismo e simbolismo...enfim essa é a minha breve historia de amor com a poesia, prometo que ano que vem preparo um post mais interessante.
valeu ^^

terça-feira, 13 de março de 2012

A primeira página de um romance nunca escrito

Olá pessoal, boa?
pois bem, eu achei um caderno meu de 2009-10 e folheando as páginas encontrei um trechinho de uma historia que eu tinha escrito então vou postar aqui pra galera conferir:

"Amélia sempre fora uma jovem especial, nos seus quinze anos tinha aparência madura (e de fato era), gostava de musica clássica, poesia e lugares tranquilos. Ela era boa aluna, mostrava-se com habilidade para matemática e tinha uma paixão em especial pela astronomia. Não conseguia estar ao ar livre sem grudar os olhos no céu, reconhecia constelações e planetas com facilidade.
Era também Amélia dotada de grande beleza e formosura. Os cachos loiros caindo pelas suas costas e os olhos negros como a imensidão do universo (e tão fascinantes quanto este). Não era uma pessoa sociável e sequer aberta a cordialidades, não esboçava sorrisos falsos, não estava interessada em relações superficiais e acima de tudo Amélia era arrogante, de humor sutil e elegante. Não gostava da maioria das pessoas a sua volta porém havia Eduardo, uma exceção.
Este garoto era, em sua opinião, maravilhoso. De fato Eduardo era dotado de imensas qualidades e era completamente modesto com relação a elas, diferente de Amélia ele era desprovido de qualquer preconceito e egoísmo."

(Larissa Rocha)

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Bocage


Manuel Maria Barbosa Du Bocage foi um poeta português símbolo do arcadismo e percursor do romantismo, particularmente acho ele incrível, eu escolhi dois poemas dele, o primeiro com caracteristicas do arcadismo, já no segundo Bocage nos apresenta ao estilo do romantismo. Os dois são sonetos à maneira camoniana.


Oh, tranças, de que Amor prisões me tece,
Oh, mãos de neve, que regeis meu fado !
Oh tesouro ! oh mistério ! oh par sagrado ,
Onde o menino alígero adormece !

Oh ledos olhos, cuja luz parece
Tênue raio de sol ! oh gesto amado,
De rosas e açucenas semeado,
Por quem morrera esta alma, se pudesse !

Oh ! lábios, cujo riso a paz me tira,
E por cujos dulcíssimos favores
Talvez o próprio Júpiter suspira !

Oh perfeições ! oh dons encantadores !
De quem sóis ?...Sois de Vênus ? - é mentira
Sois de Marília, sois de meus amores.

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Oh retrato da morte, oh Noite amiga
Por cuja escuridão suspiro há tanto !
Calada testemunha de meu pranto,
De meus desgostos secretária antiga !

Pois manda Amor, que a ti somente os diga,
Dá-lhes pio agasalho no teu manto ;
Ouve-os,como costumas,ouve, enquanto
Dorme a cruel, que a delirar me obriga :

E vós, oh cortesãos da escuridade,
Fantasmas vagos, mochos piadores,
Inimigos como eu, da claridade !

Em bandos acudi aos meus clamores;
Quero a vossa medonha sociedade,
Quero fartar meu coração de horrores.


(Bocage)

Escuta-me Amor

Escuta-me Amor, quero dizer-te umas coisas
Tem uns versinhos que preciso que leias
Uns que dizem aquilo que quero te falar
E não tenho chance...vê que desgraçada sou ?

Até o ultimo adeus me foi negado!
E tanto, tanto que já escrevi pra ti
Foste o anjo que minh ‘alma cantou
E amou muito... entre nós tudo morreu

Agora partiste sem olhar pra trás
É de teu direito me esquecer
Eu guardarei tudo de bom e esperarei
Que dê a alguém todo amor que não me deste.

(Larissa Rocha)
Não tenho ambições nem desejos.
Ser poeta não é uma ambição minha,
É minha maneira de estar sozinho.
(Fernando Pessoa)