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Pela luz dos olhos teus (Vinicius de Moraes)

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Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai que bom que isso é meu Deus
Que frio que me dá o encontro desse olhar
Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus só pra me provocar
Meu amor, juro por Deus me sinto incendiar

Meu amor, juro por Deus
Que a luz dos olhos meus já não pode esperar
Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus sem mais lará-lará
Pela luz dos olhos teus
Eu acho meu amor que só se pode achar
Que a luz dos olhos meus precisa se casar.

Súplica (Miguel Torga)

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.
Hoje estive pesquisando um poema para postar aqui no blog e encontrei este site : http://www.astormentas.com/ , fui na barra lateral na seção poemas e escolhi "poema ao acaso", gosto de pegar um livro de poesia e abrir numa pagina qualquer assim como algumas pessoas fazem com a bíbla. Por acaso o poema que apareceu é de um poeta que estou estudando na escola: Miguel Torga, pseudônimo de Adolfo Correia da Rocha, destacou-se na poesia e na prosa portuguesa, um dos representantes do presencismo (segunda geração do modernismo português). O Presencismo caracteriza-se pela emoção estética de suas …

Vaidade, tudo vaidade! (António Nobre)

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Vaidade, meu amor, tudo vaidade!
Ouve: quando eu, um dia, for alguem,
Tuas amigas ter-te-ão amizade,
(Se isso é amizade) mais do que, hoje, têm.

Vaidade é o luxo, a gloria, a caridade,
Tudo vaidade! E, se pensares bem,
Verás, perdoa-me esta crueldade,
Que é uma vaidade o amor de tua mãe...

Vaidade! Um dia, foi-se-me a Fortuna
E eu vi-me só no mar com minha escuna,
E ninguem me valeu na tempestade!

Hoje, já voltam com seu ar composto,
Mas eu, ve lá! eu volto-lhes o rosto...
E isto em mim não será uma vaidade?

António Nobre é poeta português, nascido no Porto em 1867. Sua obra está incluida no ultra-romantismo e no simbolismo da geração finissecular do século XIX. Faleceu com apenas 33 anos vítima de tuberculose super romantico!.  Seus poemas influenciaram e serviram de inspiração para vários outros poetas, principalmente sua compatriota e minha queridíssima: Florbela Espanca, que escreveu o poema A Anto em homenagem a ele. Outra homenagem foi feita pelo brasileiro Manuel Bandeira no poema sugestivam…

Quadras para Ele (Larissa Rocha)

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Teus olhos são como dois sóis são ainda mais brilhantes teu olhos carinhosos, calmos e claros que me arrancam suspiros delirantes.
teu peito carrega divinas volúpias mais caloroso não há no mundo inteiro e nem mais macio, suave de linho branco quem dera toda noite fazê-lo meu travesseiro.
teus lábios são como a primavera onde flores e aromas se abrem a mil quando surge ali teu lindo sorriso um belo presente de tua boca gentil.
(Larissa Rocha)

Camilo Castelo Branco

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A outra metade

Quando este corpo meu esfacelado
Baixar á leiva húmida da cova,
Hão de os jornais carpir a infausta nova,
Taxando-me de sábio consumado.

Estalará na imprensa enorme brado,
Pedindo a ressurgência d’um Canova
Que a morta face em mármore renova
Para insculpir meu busto laureado.

E algum dos imbecis necrologistas,
Com soluçantes vozes de saudade,
Dirá em ricas frases nunca vistas:

“Esse génio imortal, rei dos artistas,
No céu pede ao Senhor que a outra metade
Reparta por vocês, ó jornalistas!”

Caros leitores, esta é uma pequena homenagem ao romancista, cronista e poeta português Camilo Castelo Branco. Sua obra é predominantemente romântica, um de seus romances mais conhecidos é Amor de Perdição e na poesia destacou-se Nas Trevas. E a frase na imagem acima, acredito que traduz a essência da poesia, quem escreve sabe =)

Rosas (Alphonsus de Guimarães)

Rosas que já vos fostes, desfolhadas
Por mãos também que Já foram, rosas
Suaves e tristes! Rosas que as amadas,
Mortas também, beijaram suspirosas...

Umas rubras e vãs, outras fanadas,
Mas cheias do calor das amorosas...
Sois aroma de almofadas silenciosas,
Onde dormiram tranças destrançadas.

Umas brancas, da cor das pobres freiras,
Outras cheias de viço de frescura,
Rosas primeiras, rosas derradeiras!

Ai! Quem melhor que vós, se a dor perdura,
Para coroar-me, rosas passageiras,
O sonho que se esvai na desventura ? (Alphonsus de Guimarães)

17 de Maio (Larissa Rocha)

Para Marcelo, em seu aniversário.

Verei cair a noite saudosa E pelo anjo que suspiro tremendo Meu olhar se enche de pranto E de amor vou padecendo.

Deito-me nessa solidão Que a noite escura afoga e dor Fecho os olhos e em silêncio Te mando minhas juras de amor.

Em minhas noites sonho muito As ternuras do meu amante e amigo Sonho que sou tua querida Sonho teus amores, meu bem, eu sonho contigo!


Penso delirante em beijar-te os lábios Oh! Deixa-me repousar em teu peito Sentir o aroma inebriante de teus cabelos... A febre ardente me consome no leito!

Bem sabes que pálida aos teus pés vivo És do céu a estrela mais brilhante Levanto a ela meus olhos em pranto Suspiro...és também a mais distante!



Assim na  solidão amo-te à distancia E sonho, meu bem... ai como sonho! Quando te procuro só encontro saudade É o que me deixa com olhar tristonho.



E adoro-te tão apaixonadamente Que ao fim da noite só tenho um desejo Anjo de meus saudosos sonhos, Trocaria minha vida por teu beijo!

Com o …