sábado, 9 de junho de 2012

Essa que eu hei de amar... (Guilherme de Almeida)

Essa que eu hei de amar perdidamente um dia
será tão loura, e clara, e vagarosa, e bela,
que eu pensarei que é o sol que vem, pela janela,
trazer luz e calor a essa alma escura e fria.

E quando ela passar, tudo o que eu não sentia
da vida há de acordar no coração, que vela…
E ela irá como o sol, e eu irei atrás dela
como sombra feliz… — Tudo isso eu me dizia,

quando alguém me chamou. Olhei: um vulto louro,
e claro, e vagaroso, e belo, na luz de ouro
do poente, me dizia adeus, como um sol triste…

E falou-me de longe: "Eu passei a teu lado,
mas ias tão perdido em teu sonho dourado,
meu pobre sonhador, que nem sequer me viste!"

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Versos do dia


Pessoal, estou fazendo agora no blog esses posts curtos com uns versinhos, pois nem sempre dá tempo de postar algo mais elaborado e para que a gente não fique sem a poesia nossa de cada dia!

terça-feira, 5 de junho de 2012

Versos do dia



Pela luz dos olhos teus (Vinicius de Moraes)



Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai que bom que isso é meu Deus
Que frio que me dá o encontro desse olhar
Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus só pra me provocar
Meu amor, juro por Deus me sinto incendiar

Meu amor, juro por Deus
Que a luz dos olhos meus já não pode esperar
Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus sem mais lará-lará
Pela luz dos olhos teus
Eu acho meu amor que só se pode achar
Que a luz dos olhos meus precisa se casar.

domingo, 3 de junho de 2012

Súplica (Miguel Torga)

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.

Hoje estive pesquisando um poema para postar aqui no blog e encontrei este site : http://www.astormentas.com/ , fui na barra lateral na seção poemas e escolhi "poema ao acaso", gosto de pegar um livro de poesia e abrir numa pagina qualquer assim como algumas pessoas fazem com a bíbla. Por acaso o poema que apareceu é de um poeta que estou estudando na escola: Miguel Torga, pseudônimo de Adolfo Correia da Rocha, destacou-se na poesia e na prosa portuguesa, um dos representantes do presencismo (segunda geração do modernismo português). O Presencismo caracteriza-se pela emoção estética de suas obras, pelo predomínio da literatura psicológica, buscando sempre uma "literatura original, viva e espontânea".

sábado, 2 de junho de 2012

Vaidade, tudo vaidade! (António Nobre)


Vaidade, meu amor, tudo vaidade!
Ouve: quando eu, um dia, for alguem,
Tuas amigas ter-te-ão amizade,
(Se isso é amizade) mais do que, hoje, têm.

Vaidade é o luxo, a gloria, a caridade,
Tudo vaidade! E, se pensares bem,
Verás, perdoa-me esta crueldade,
Que é uma vaidade o amor de tua mãe...

Vaidade! Um dia, foi-se-me a Fortuna
E eu vi-me só no mar com minha escuna,
E ninguem me valeu na tempestade!

Hoje, já voltam com seu ar composto,
Mas eu, ve lá! eu volto-lhes o rosto...
E isto em mim não será uma vaidade?


António Nobre é poeta português, nascido no Porto em 1867. Sua obra está incluida no ultra-romantismo e no simbolismo da geração finissecular do século XIX. Faleceu com apenas 33 anos vítima de tuberculose super romantico!.  Seus poemas influenciaram e serviram de inspiração para vários outros poetas, principalmente sua compatriota e minha queridíssima: Florbela Espanca, que escreveu o poema A Anto em homenagem a ele. Outra homenagem foi feita pelo brasileiro Manuel Bandeira no poema sugestivamente entitulado A António Nobre.


sexta-feira, 1 de junho de 2012

Quadras para Ele (Larissa Rocha)

Teus olhos são como dois sóis
são ainda mais brilhantes
teu olhos carinhosos, calmos e claros
que me arrancam suspiros delirantes.

teu peito carrega divinas volúpias
mais caloroso não há no mundo inteiro
e nem mais macio, suave de linho branco
quem dera toda noite fazê-lo meu travesseiro.

teus lábios são como a primavera
onde flores e aromas se abrem a mil
quando surge ali teu lindo sorriso
um belo presente de tua boca gentil.

(Larissa Rocha)


Não tenho ambições nem desejos.
Ser poeta não é uma ambição minha,
É minha maneira de estar sozinho.
(Fernando Pessoa)