sexta-feira, 15 de junho de 2012

Desilusão (Larissa Rocha)


M.A.
Se esta mágoa sem fim
é por tanto te amar,
tenho ainda mais odio de mim
por não saber te desprezar.

odeio os versos meus
por só cantarem teus primores
não sei te dizer adeus
embora me cause tantas dores.

 tento me convencer
de que não te adoro mais
sinto logo o peito doer
sei que não sou capaz...

do amor que não vivi
só me resta saudade
derramei só por ti
cada gota de minha mocidade.

ando a chamar-te, amor
mas teu coração não escuta
o único remédio para esta dor
é um cálice de cicuta!

(Larissa Rocha)

quinta-feira, 14 de junho de 2012

O poeta pede ao seu amor que lhe escreva (García Lorca)



Amor de minhas entranhas, morte viva,
em vão espero tua palavra escrita
e penso, com a flor que se murcha,
que se vivo sem mim quero perder-te.
O ar é imortal. A pedra inerte
nem conhece a sombra nem a evita.
Coração interior não necessita
o mel gelado que a lua verte.

Porém eu te sofri. Rasguei-me as veias,
tigre e pomba, sobre tua cintura
em duelo de mordiscos e açucenas.
Enche, pois, de palavras minha loucura
ou deixa-me viver em minha serena
noite da alma para sempre escura.
(Federico García Lorca)

Desencanto (Manuel Bandeira)

Queridos leitores, andei meio ausente do blog mas passando rapidinho por aqui resolvi deixar um poema, do nosso ilustríssimo poeta pernambucano Manuel Bandeira, e pessoalmente me identifiquei muito com esses versos. Até a próxima :)


Eu faço versos como quem chora
De desalento... de desencanto...
Fecha o meu livro, se por agora
Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente...
Tristeza esparsa... remorso vão...
Dói-me nas veias. Amargo e quente,
Cai, gota a gota, do coração.

E nestes versos de angústia rouca
Assim dos lábios a vida corre,
Deixando um acre sabor na boca.
- Eu faço versos como quem morre
.

sábado, 9 de junho de 2012

Essa que eu hei de amar... (Guilherme de Almeida)

Essa que eu hei de amar perdidamente um dia
será tão loura, e clara, e vagarosa, e bela,
que eu pensarei que é o sol que vem, pela janela,
trazer luz e calor a essa alma escura e fria.

E quando ela passar, tudo o que eu não sentia
da vida há de acordar no coração, que vela…
E ela irá como o sol, e eu irei atrás dela
como sombra feliz… — Tudo isso eu me dizia,

quando alguém me chamou. Olhei: um vulto louro,
e claro, e vagaroso, e belo, na luz de ouro
do poente, me dizia adeus, como um sol triste…

E falou-me de longe: "Eu passei a teu lado,
mas ias tão perdido em teu sonho dourado,
meu pobre sonhador, que nem sequer me viste!"

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Versos do dia


Pessoal, estou fazendo agora no blog esses posts curtos com uns versinhos, pois nem sempre dá tempo de postar algo mais elaborado e para que a gente não fique sem a poesia nossa de cada dia!

terça-feira, 5 de junho de 2012

Versos do dia



Pela luz dos olhos teus (Vinicius de Moraes)



Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai que bom que isso é meu Deus
Que frio que me dá o encontro desse olhar
Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus só pra me provocar
Meu amor, juro por Deus me sinto incendiar

Meu amor, juro por Deus
Que a luz dos olhos meus já não pode esperar
Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus sem mais lará-lará
Pela luz dos olhos teus
Eu acho meu amor que só se pode achar
Que a luz dos olhos meus precisa se casar.
Não tenho ambições nem desejos.
Ser poeta não é uma ambição minha,
É minha maneira de estar sozinho.
(Fernando Pessoa)