quarta-feira, 27 de junho de 2012

Oh! páginas de vida que eu amava (Álvares de Azevedo)

Oh! Páginas da vida que eu amava,
Rompei-vos! nunca mais! tão desgraçado!
... Ardei, lembranças doces do passado!
Quero rir-me de tudo que eu amava!

E que doudo que eu fui! como eu pensava
Em mãe, amor de irmã! em sossegado
Adormecer na vida acalentado
Pelos lábios que eu tímido beijava!

Embora - é meu destino.
Em treva densa dentro do peito a existência finda
Pressinto a morte na fatal doença!

A mim a solidão da noite infinda!
Possa dormir o trovador sem crença
Perdoa minha mãe - eu te amo ainda!

Versos do dia

terça-feira, 26 de junho de 2012

Cinco sentidos, um sentimento (Guilherme Zilio)


Da mesma boca que sai a piada
Muitas vezes inoportuna
Que arranca de você a mais sincera risada,
Sai o beijo que te deixa mais apaixonada

Os mesmos olhos que medem seu corpo
Do jeito mais indiscreto
E que deixam em tom vermelho seu rosto
São os que ao encontrar com os seus,
Te trazem imediato conforto

Os ouvidos que a noite
Escutam seus sons de prazer
Maliciosos e ao mesmo tempo tão doces
São os que no outro dia,
Ouvem seu suspiro ao me ver

E as mãos espertas que deslizam sobre seu corpo
Sem nenhum pudor
E te despertam o mais profundo desejo
Nas horas tristes e amargas
Secam suas lágrimas de dor...

Não tente esconder,
Eu sinto o cheiro do seu amor.

Versos do dia

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Bom é que não esqueçais (Fernando Pessoa)

Bom é que não esqueçais
Que o que dá ao amor rara qualidade
É a sua timidez envergonhada
Entregai-vos ao travo doce das delicias
Que filhas são dos seus tormentos
Porém, não busqueis poder no amor
Que só quem da sua lei se sente escravo
Pode considerar-se realmente livre
Não tenho ambições nem desejos.
Ser poeta não é uma ambição minha,
É minha maneira de estar sozinho.
(Fernando Pessoa)