quinta-feira, 12 de julho de 2012

Versos do dia



‎''Se for verdadeiro vai acontecer, independente de tempo e distância" - Cazuza
Tenham uma boa noite!

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Soneto do amor total (Vinicius de Moraes)


Amo-te tanto meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te enfim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Soneto do anjo de maio (Ruy Espinheira Filho)


Então, em maio, um Anjo incendiou-me.
Em seu olhar azul havia um dia
claro como os da infância. E a alegria
entrou em mim e em sua luz tomou-me

o coração. Depois, suave, guiou-me
para mim mesmo, para o que morria,
em meu peito, de olvido. E a noite, fria,
fez-se cálida — e a mágoa desertou-me.

Já não eram as cinzas sobre o Nada,
mas rios, e ventos, e árvores, e flamas,
e montes, e horizontes sem ter fim!

Era a vida de volta, resgatada,
e nova, e para sempre, pelas chamas
desse Anjo de maio que arde em mim!

 

domingo, 8 de julho de 2012

Versos do dia

Foi só por ti (Larissa Rocha)


Foi só por ti que derramei
Lágrima quente em noite fria
Mágoa em forma de versos, sofri tanto
Por um amor que só eu sentia.

 Jogaste o tempo todo com meu coração
Tal e qual a tua vontade
E é porque o amor não prende
Que te deixo ir e abraço a saudade

 Mas saiba... Foi por ti apenas
Que amorosa lira eu escrevia,
Tudo por tuas carícias pequenas.

 Então vai... Não há mais volta
Não te prenderei  como queria
Em vez disso meu amor te solta!

sábado, 7 de julho de 2012

Os versos que te fiz (Florbela Espanca)


Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!
Não tenho ambições nem desejos.
Ser poeta não é uma ambição minha,
É minha maneira de estar sozinho.
(Fernando Pessoa)