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Sentimental (Carlos Drummond de Andrade)

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Ponho-me a escrever teu nome
com letras de macarrão.
No prato, a sopa esfria, cheia de escamas
e debruçados na mesa todos contemplam
esse romântico trabalho.

Desgraçadamente falta uma letra,
uma letra somente
para acabar teu nome!

- Está sonhando? Olhe que a sopa esfria!

Eu estava sonhando...
E há em todas as consciências um cartaz amarelo:
"Neste país é proibido sonhar."

Versos do dia

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Grande Fernado Pessoa, disse tudo : "Tudo vale a pena se a alma não é pequena" Tenham uma boa noite!

Tudo o que faço ou medito (Fernado Pessoa)

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Tudo o que faço ou medito
Fica sempre na metade.
Querendo, quero o infinito.
Fazendo, nada é verdade.

Que nojo de mim me fica
Ao olhar para o que faço!
Minha alma é lúcida e rica,
E eu sou um mar de sargaço

Inconfesso desejo (Carlos Drummond de Andrade)

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Queria ter coragem
Para falar deste segredo
Queria poder declarar ao mundo
Este amor
Não me falta vontade
Não me falta desejo
Você é minha vontade
Meu maior desejo
Queria poder gritar
Esta loucura saudável
Que é estar em teus braços
Perdido pelos teus beijos
Sentindo-me louco de desejo
Queria recitar versos
Cantar aos quatros ventos
As palavras que brotam
Você é a inspiração
Minha motivação
Queria falar dos sonhos
Dizer os meus secretos desejos
Que é largar tudo
Para viver com você
Este inconfesso desejo

Versos do dia

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Boa noite!



Dia do escritor

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Porque escrever é confortante, porque escrever é como magica
deixar transparecer emoção mais profunda,
porque escrever é poder contar com um papel em branco
como se fosse um amigo, porque escrevendo é quando eu não me sinto
sozinha... E já não tenho nenhuma amarra, e me debruço sobre o caderno
poisando sobre ele olhos, e peito, e alma. E quando muita vez
uma lágrima molha o papel sei que alquilo que escrevi
é também parte de mim... Escrever me eleva e me sinto como que tocando o céu, Escrever... Te tornas maior que todos os homens.
- Larissa Rocha






Entre os teus lábios (Eugénio de Andrade)

Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.

No teu peito
é que o pólen do fogo
se junta à nascente,
alastra na sombra.

Nos teus flancos
é que a fonte começa
a ser rio de abelhas,
rumor de tigre.

Da cintura aos joelhos
é que a areia queima,
o sol é secreto,
cego o silêncio.

Deita-te comigo.
Ilumina meus vidros.
Entre lábios e lábios
toda a música é minha.