quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Seio de virgem (Álvares de Azevedo)

 
O que eu sonho noite e dia,
O que me dá poesia
E me torna a vida bela,
O que num brando roçar
Faz meu peito se agitar,
E o teu seio, donzela!

Oh! quem pintara o cetim
Desses limões de marfim,
Os leves cerúleos veios
Na brancura deslumbrante
E o tremido de teus seios?

Ouando os vejo, de paixão
Sinto pruridos na mão
De os apalpar e conter...
Sorriste do meu desejo?
Loucura! bastava um beijo
Para neles se morrer!

domingo, 9 de dezembro de 2012

A bela encantada (Joaquim Manuel de Macedo)

 
(...)

Se a visses... tão bela!... de branco vestida,
Coas negras madeixas no colo a ondear,
Tão só, qual princesa de um trono abatida,
Cismando ao luar...

Se a visses... tão branca, da lua ao palor
Uma harpa sonora então dedilhar,
E à margem do lago ternuras de amor
Essa harpa entornar...

Se então tu a visses... tão branca e tão bela
Com a harpa inclinada no seio ao revés,
Vertendo harmonias, com a lua sobre ela,
E o lago a seus pés...

Se a visses... não vejas, incauto mortal;
Ah! foge! ind'é tempo; não pares aqui;
Não fiques num sítio que é sítio fatal;
Se não — ai de ti!...

Não vejas a bela, que em vê-la há perigo;
Estila dos lábios amávio traidor;
Não vejas!... se a vires... — eu sei o que digo!... -
Tu morres de amor!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Eu te amo! (Larissa Rocha)


 
Ouso chamar teu nome com carinho
E pronuncio baixinho
Eu te amo!
 
A noite é testemunha silenciosa
De minha confissão medrosa
Eu te amo!
 
Sonhando em tocar teu coração
Sussurro como uma oração
Eu te amo!
 
São três palavras proibidas
Que mudariam nossas vidas
Eu te amo!
 
Sei que o mesmo não deves sentir
Por favor, perdoe-me por repetir
Eu te amo!
 
Imagino se nesse instante
Respondes-me com um distante
Eu te amo.
 
 
Mais poemas meus em >> http://www.astormentas.com/PT/par/poemas/Larissa%20Rocha


quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Poema sobre a recusa (Maria Teresa Horta)

 
Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
nem na polpa dos meus dedos
se ter formado o afago
sem termos sido a cidade
nem termos rasgado pedras
sem descobrirmos a cor
nem o interior da erva.

Como é possível perder-te
sem nunca te ter achado
minha raiva de ternura
meu ódio de conhecer-te
minha alegria profunda.
Não tenho ambições nem desejos.
Ser poeta não é uma ambição minha,
É minha maneira de estar sozinho.
(Fernando Pessoa)