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Pássaro (Larissa Rocha)

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costumava ouvir cantar um pássaro
de melodia que embora dolorosa,
pousava triunfante em meu papel.
mas lhe arrancaram uma fibra nervosa
agora já de voz rouca
não mais em minha boca
vem derramar seu mel.

voz cansada, canção fraca...adoeceu talvez
vi-o padecer dia após dia
até que de minha folha voou
hoje raramente me lembro de sua melodia.
o que aconteceu, amigo?
o que houve contigo?
acaso a fonte onde bebias secou?
Mais poemas meus em http://www.astormentas.com/PT/par/poemas/Larissa%20Rocha

Seus Olhos (Almeida Garrett)

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Seus olhos - que eu sei pintar O que os meus olhos cegou – Não tinham luz de brilhar, Era chama de queimar; E o fogo que a ateou Vivaz, eterno, divino, Como facho do Destino.
Divino, eterno! - e suave Ao mesmo tempo: mas grave E de tão fatal poder, Que, um só momento que a vi, Queimar toda a alma senti... Nem ficou mais de meu ser, Senão a cinza em que ardi.

Sobre o regaço (Gustavo Adolfo Bécquer)

Sobre o regaço tinha
o livro bem aberto;
tocavam em meu rosto
seus caracóis negros.
Não víamos as letras
nem um nem outro, creio;
mas guardávamos ambos
fundo silêncio.
Por quanto tempo? Nem então
pude sabê-lo.
Sei só que não se ouvia mais que o alento,
que apressado escapava
dos lábios secos.
Só sei que nos voltámos
os dois ao mesmo tempo,
os olhos encontraram-se
e ressoou um beijo.

Versos do dia

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Devia morrer-se de outra maneira( José Gomes Ferreira)

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Devia morrer-se de outra maneira.
Transformarmo-nos em fumo, por exemplo.
Ou em nuvens.
Quando nos sentíssemos cansados, fartos do mesmo sol
a fingir de novo todas as manhãs, convocaríamos
os amigos mais íntimos com um cartão de convite
para o ritual do Grande Desfazer: "Fulano de tal comunica
a V. Exa. que vai transformar-se em nuvem hoje
às 9 horas. Traje de passeio".
E então, solenemente, com passos de reter tempo, fatos
escuros, olhos de lua de cerimônia, viríamos todos assistir
a despedida.
Apertos de mãos quentes. Ternura de calafrio.
"Adeus! Adeus!"
E, pouco a pouco, devagarinho, sem sofrimento,
numa lassidão de arrancar raízes...
(primeiro, os olhos... em seguida, os lábios... depois os cabelos... )
a carne, em vez de apodrecer, começaria a transfigurar-se
em fumo... tão leve... tão sutil... tão pòlen...
como aquela nuvem além (vêem?) — nesta tarde de outono
ainda tocada por um vento de lábios azuis...

Apenas uma carta (Larissa Rocha)

Bahia, 27 de dezembro de 2012.    Obrigada por todo o tempo da tua vida que tens dedicado a mim e por todo o tempo que já sonhaste em dedicar. As lembranças continuam na minha mente pois quando estamos juntos eu desejo com cada pedaço do meu coração cuidar e precisar de ti, nunca te abandonar.    O tempo, meu amor, o tempo passa tão assustadoramente rápido, principalmente pelo futuro incerto que temos pela frente entretanto, tenho uma inocente esperança de que um dia caminharei em tua direção e nós nos abraçaremos e ficaremos assim por longos minutos, nos quais direi o quanto tu significas para mim enquanto tuas mãos gentis e leves passearão pelo contorno da minha cintura... Daria tudo para que esse momento fosse agora! Não há nada que eu queria mais do que essa chance, uma única de te fazer feliz e amado. Juro que não te arrependerás, deixa-me ver esse sorriso lindo todos os dias e principalmente ser a causa dele. Gostaria que estivesses aqui. Com amor e consideração, L. R. 

A meu favor (Alexandre O'Neill)

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A meu favor
Tenho o verde secreto dos teus olhos
Algumas palavras de ódio algumas palavras de amor
O tapete que vai partir para o infinito
Esta noite ou uma noite qualquer

A meu favor
As paredes que insultam devagar
Certo refúgio acima do murmúrio
Que da vida corrente teime em vir
O barco escondido pela folhagem
O jardim onde a aventura recomeça.