segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

Fui um doudo em sonhar tantos amores (Álvares de Azevedo)


Fui um doudo em sonhar tantos amores...
Que loucura, meu Deus!
Em expandir-lhe aos pés, pobre insensato,
Todos os sonhos meus!
 
E ela, triste mulher, ela tão bela,
Dos seus anos na flor,
Por que havia sagrar pelos meus sonhos
Um suspiro de amor?
 
Um beijo — um beijo só! eu não pedia
Senão um beijo seu
E nas horas do amor e do silêncio
Juntá-la ao peito meu!
 
(..)
 
Meus Deus! por que sonhei e assim por ela
Perdi a noite ardente...
Se devia acordar dessa esperança,
E o sonho era demente?...
 
Eu nada lhe pedi: ousei apenas
Junto dela, à noitinha,
Nos meus delírios apertar tremendo
A sua mão na minha!
 
(...)
 
Mas vota ao menos no lembrar saudoso
Um ai ao sonhador...
Deus sabe se te amei!... Não te maldigo,
Maldigo o meu amor!...
 
Mas não... inda uma vez... Não posso ainda
Dizer o eterno adeus
E a sangue frio renegar dos sonhos
E blasfemar de Deus!
 
Oh! Fala-me de amor!... — eu quero crer-te
Um momento sequer...
E esperar na ventura e nos amores,
Num olhar de mulher!

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Se as minhas mãos pudessem desfolhar (Federico García Lorca)


 
Eu pronuncio teu nome
nas noites escuras,
quando vêm os astros
beber na lua
e dormem nas ramagens
das frondes ocultas.
E eu me sinto oco
de paixão e de música.
Louco relógio que canta
mortas horas antigas.

Eu pronuncio teu nome,
nesta noite escura,
e teu nome me soa
mais distante que nunca.
Mais distante que todas as estrelas
e mais dolente que a mansa chuva.

Amar-te-ei como então
alguma vez? Que culpa
tem meu coração?
Se a névoa se esfuma,
que outra paixão me espera?
Será tranqüila e pura?
Se meus dedos pudessem
desfolhar a lua!!

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Quem sabe um dia (Mário Quintana)

 
Quem
sabe um dia
Quem sabe um seremos
Quem sabe um viveremos
Quem sabe um morreremos!

Quem é que
Quem é macho
Quem é fêmea
Quem é humano, apenas!

Sabe amar
Sabe de mim e de si
Sabe de nós
Sabe ser um!

Um dia
Um mês
Um ano
Um(a) vida!

Sentir primeiro, pensar depois
Perdoar primeiro, julgar depois

Amar primeiro, educar depois
Esquecer primeiro, aprender depois

Libertar primeiro, ensinar depois
Alimentar primeiro, cantar depois

Possuir primeiro, contemplar depois
Agir primeiro, julgar depois

Navegar primeiro, aportar depois
Viver primeiro, morrer depois

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Teu nome (Larissa Rocha)

Teu nome é para mim como uma prece
Chamo-o com uma adoração louca
Quando digo, sinto o que me parece
Uma carícia ao sair da minha boca
 
Posto que tu és como Deus
Teu nome não se fala em vão
Apenas sussurrado entre os lábios teus,
Um segredo guardado em meu coração.

 
À noite um suspiro tremulou no peito meu
Quando o disse em meu sonho – isto só eu sei.
Não me olhes assim... que culpa tenho eu?
Culpado é quem te deu esse nome de rei!
 
 
Teu nome que já foi meu mantra sagrado,
Mantive-o em segredo por amor
É o sinônimo de um sonho despedaçado...
Hoje só de ouvi-lo sinto uma pontada de dor!

Mais poemas meus em : http://www.astormentas.com/PT/par/poemas/Larissa%20Rocha
Não tenho ambições nem desejos.
Ser poeta não é uma ambição minha,
É minha maneira de estar sozinho.
(Fernando Pessoa)