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Versos do dia

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Tu eras também uma pequena folha (Pablo Neruda)

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Tu eras também uma pequena folha
que tremia no meu peito.
O vento da vida pôs-te ali.
A princípio não te vi: não soube
que ias comigo,
até que as tuas raízes
atravessaram o meu peito,
se uniram aos fios do meu sangue,
falaram pela minha boca,
floresceram comigo.

Violoncelo (Camilo Pessanha)

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Chorai, arcadas
Do violoncelo,
Convulsionadas.
Pontes aladas
De pesadelo...

De que esvoaçam,
Brancos, os arcos.
Por baixo passam,
Se despedaçam,
No rio os barcos.

Fundas, soluçam
Caudais de choro.
Que ruínas, ouçam...
Se se debruçam,
Que sorvedouro!

Lívidos astros,
Soidões lacustres...
Lemes e mastros...
E os alabastros
Dos balaústres!

Urnas quebradas.
Blocos de gelo!
Chorai, arcadas
Do violoncelo,
Despedaçadas...
Bem, não sei você, mas eu adoro música erudita. Encontrei esse poema de Camilo Pessanha que me lembrou uma sonata para piano e violoncelo de Chopin, essa música sempre me ajuda a ter inspiração e escrever meus próprios poemas então aqui vai um vídeo com a música : 

Versos do dia

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Poema : Custa tanto saber o que se sente
Autor: Fernando Pessoa

Dia da mulher

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Gostaria hoje, de fazer uma sigela homenagem às mulheres... À mulher que é toda emoção e coragem, força e delicadeza, linda e apaixonada, principalmente às grandes mulheres da poesia em língua portuquesa,as mais conhecidas (Adélia Prado, Cecília Meireles, Clarice Lispector, Florbela Espanca, Maria Teresa Horta, etc,) e as que ficaram nas sombras, e à toda mulher que, como eu, já pôs seus sentimentos em forma de verso e tornaram a literatura ainda mais bela!
Obrigada, poetisas!

Aqui vão alguns versos que escolhi com muito carinho para esta data:
Sou uma mulher madura
Que às vezes anda de balanço
Sou uma criança insegura
Que às vezes usa salto alto
Sou uma mulher que balança
Sou uma criança que atura
(martha medeiros)
Eu sou aquela mulher que fez a escalada da montanha da vida, removendo pedras e plantando flores. (Cora Coralina)

Se ele apenas (Marina Colasanti)

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Diz a lenda que o poeta
Li Po
afogou-se na noite em que
embriagado
quis agarrar a Lua
sobre o lago.
É lenda, bem se vê.
Pois a verdade é que
a Lua
teria seguido o poeta
a qualquer canto
se ele apenas a tivesse chamado.

Obituário (Larissa Rocha)

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Causa da morte: Melancolia profunda Devido a um grave trauma de amor Congelando todo sangue que o coração inunda Levando embora tudo, exceto a dor!
Assim quero escrito em meu papel de morte: Que por amor fui tirada da vida Até me foi negada a sorte De um beijo de despedida.
Preparem os documentos de antemão Pois faz tempo que só o corpo me restou Primeiro foi-se a calma, o riso e então, Por fim a alma me abandonou...
Quando te vi, tive como certeza, Desde aquele dia enlouqueci E não pude mais enxergar com clareza... Data da morte: dia em que te conheci !