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A louca (Larissa Rocha)

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Para Marcelo


Desde o dia que te vi partir Ando feito louca na rua Vivo quase sem existir E tudo isso é culpa tua!
Enlouqueci ainda na flor da idade Sei que não foi tua intenção me magoar Mas me diz como manter a sanidade Se não posso mais te amar?
Ando com a alma atormentada E ainda escuto tua voz na minha cabeça Não me deixes aqui abandonada Se não queres que eu enlouqueça
Passo o dia encolhida pelos cantos E ouço dizer: “pobrezinha, enlouqueceu!” Quando os outros me veem aos prantos Entre soluços a chamar o nome teu
Lagrimas inundam os olhos meus Quando sozinha na escuridão Lembro-me do teu último “adeus”
Aquele que me fez perder a razão!



"Ai, a rua escura, o vento frio
Esta saudade, este vazio
Esta vontade de chorar
Ai, tua distância tão amiga
Esta ternura tão antiga
E o desencanto de esperar
Sim, eu não te amo porque quero
Ai, se eu pudesse esqueceria!
Vivo e vivo só porque te espero
Ai, esta amargura, esta agonia"



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Persistência (Larissa Rocha)

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Luto contra o tempo aliado à distância Pois o tempo sem ti passa impiedoso E para tornar tudo mais doloroso Ainda há tua habitual inconstância
E porque teu amor me é essencial Prefiro acreditar que tudo vai dar certo Que um dia vou te ter por perto Luto porque te amo de um jeito visceral
Esta luta incansável simplesmente me assusta Tuas palavras me deixam hesitante E não acho a luta nem um pouco justa
Luto contra o risco iminente de te perder Tenho medo de que me esqueças
Pois sei que nunca vou te esquecer 



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Intimidade (Fernando Namora)

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Que ninguém hoje me diga nada. Que ninguém venha abrir a minha mágoa, esta dor sem nome que eu desconheço donde vem e o que me diz. É mágoa. Talvez seja um começo de amor. Talvez, de novo, a dor e a euforia de ter vindo ao mundo.
Pode ser tudo isso, ou nada disso. Mas não afirmo. As palavras viriam revelar-me tudo. E eu prefiro esta angústia de não saber de quê.

Um minuto (Larissa Rocha)

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Hoje durante um minuto olhei para ele, Fazia tanto tempo que não o via... Muito tempo, não encontrava aqueles olhos Relembrei o jeito que ele falava e sorria
Lembrei-me quando ele passava por mim de manhã E me mandava aquele sorriso sempre educado Então depois levava ao chão o olhar tímido Toda vez que passava ao meu lado.
E nunca escrevi para ele, que pecado! Mas sempre que ele passava Eu me perguntava se ele percebia Que o meu coração frágil disparava.
E hoje, durante um minuto olhei para ele De um jeito quase obsessivo, mas ele não percebeu Sua boca se contorcia num sorriso divertido Eu vi o seu sorriso, mas ele não viu o meu.
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Versos do dia

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O último poema (Manuel Bandeira)

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Assim eu quereria o meu último poema. Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos A paixão dos suicidas que se matam sem explicação.

Coração sem imagens (Raul de Carvalho)

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Deito fora as imagens,
Sem ti para que me servem
as imagens?

Preciso habituar-me
a substituir-te
pelo vento,
que está em toda a parte
e cuja direcção
é igualmente passageira
e verídica.

Preciso habituar-me ao eco dos teus passos
numa casa deserta,
ao trémulo vigor de todos os teus gestos
invisíveis,
à canção que tu cantas e que mais ninguém ouve
a não ser eu.

Serei feliz sem as imagens.
As imagens não dão
felicidade a ninguém.

Era mais difícil perder-te,
e, no entanto, perdi-te.

Era mais difícil inventar-te,
e eu te inventei.

Posso passar sem as imagens
assim como posso
passar sem ti.

E hei-de ser feliz ainda que
isso não seja ser feliz.


Raul Maria de Carvalho foi um poeta português,esteve fortemente ligado ao movimento neo-realista e surrealista que marcaram as décadas de 1950 e 1960 em Portugal.