sábado, 3 de agosto de 2013

Sem remédio (Florbela Espanca)



Aqueles que me têm muito amor 
Não sabem o que sinto e o que sou... 
Não sabem que passou, um dia, a Dor 
À minha porta e, nesse dia, entrou. 

E é desde então que eu sinto este pavor, 
Este frio que anda em mim, e que gelou 
O que de bom me deu Nosso Senhor! 
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!! 

Sinto os passos de Dor, essa cadência 
Que é já tortura infinda, que é demência! 
Que é já vontade doida de gritar! 

E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio, 
A mesma angústia funda, sem remédio, 
Andando atrás de mim, sem me largar! 

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Versos do dia



Música: Espumas ao Vento
Composição: Acioly Neto (1997)            

"De uma coisa fique certa,amor
A porta vai estar sempre aberta,amor
O meu olhar vai dar uma festa,amor
Na hora que você chegar"
                                                                                         

domingo, 16 de junho de 2013

Contigo aprendi coisas tão simples (Ruy Belo)


Contigo aprendi coisas tão simples como
a forma de convívio com o meu cabelo ralo
e a diversa cor que há nos olhos das pessoas
Só tu me acompanhastes súbitos momentos
quando tudo ruía ao meu redor
e me sentia só e no cabo do mundo
Contigo fui cruel no dia a dia
mais que mulher tu és já a minha única viúva
Não posso dar-te mais do te dou
este molhado olhar de homem que morre
e se comove ao ver-te assim presente tão subitamente

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Não importa (Larissa Rocha)




Não importa quanto tempo leve
Quantas vidas eu tenha que viver
De quantos sonhos tenha que abrir mão...
Faria o que fosse preciso fazer

Não importa quantos versos eu escreva
Nunca bastaria pra te falar do meu amor.
Mesmo se eu sofrer, mesmo se chorar,
Pra estar contigo, farei o que preciso for.

Saiba que também a distância não importa
No meu pensamento posso te alcançar
E toda vez que estiveres triste,
Terás meu abraço pra te acalmar!




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sexta-feira, 31 de maio de 2013

Maio (Larissa Rocha)


Maio já se vai quase todo
Nada é como era no início do mês
Sinto o peito carregado
Por várias emoções de uma só vez

Muita coisa mudou, acho que até eu mudei.
Apesar de temer o futuro
Ainda sonho e sinto como sempre,
A esperança é meu lugar seguro

De repente uma tristeza sem explicação...
É forte o sabor da despedida
Seja lá isso bom ou ruim
Maio foi o mês que mudou minha vida!

quinta-feira, 30 de maio de 2013

O corpo não espera (Jorge de Sena)


O corpo não espera. Não. Por nós 
ou pelo amor. Este pousar de mãos, 
tão reticente e que interroga a sós 
a tépida secura acetinada, 
a que palpita por adivinhada 
em solitários movimentos vãos; 
este pousar em que não estamos nós, 
mas uma sêde, uma memória, tudo 
o que sabemos de tocar desnudo 
o corpo que não espera; este pousar 
que não conhece, nada vê, nem nada 
ousa temer no seu temor agudo... 

Tem tanta pressa o corpo! E já passou, 
quando um de nós ou quando o amor chegou.

segunda-feira, 20 de maio de 2013

De que me rio eu? Eu rio horas e horas (António Patrício)



De que me rio eu?... Eu rio horas e horas 
só para me esquecer, para me não sentir. 
Eu rio a olhar o mar, as noites e as auroras; 
passo a vida febril inquietantemente a rir. 

Eu rio porque tenho medo, um terror vago 
de me sentir a sós e de me interrogar; 
rio pra não ouvir a voz do mar pressago 
nem a das coisas mudas a chorar. 

Rio pra não ouvir a voz que grita dentro de mim 
o mistério de tudo o que me cerca 
e a dor de não saber porque vivo assim.

Quem vê teu riso, não imagina a dor que se esconde atrás dele! Rir para não chorar... Quem nunca?! Todos usam máscaras para esconder os verdadeiros sentimentos mas é bom as vezes chorar pois só assim descobrimos que, como diria Sérgio Jockyman, " O riso diário é bom, o riso habitual é insosso e o riso constante é insano".

sexta-feira, 10 de maio de 2013

sábado, 4 de maio de 2013

Vai-te, Poesia! (José Gomes Ferreira)



Vai-te, Poesia! 

Deixa-me ver a vida 
exacta e intolerável 
neste planeta feito de carne humana a chorar 
onde um anjo me arrasta todas as noites para casa pelos cabelos 
com bandeiras de lume nos olhos, 
para fabricar sonhos 
carregados de dinamite de lágrimas. 

Vai-te, Poesia! 

Não quero cantar. 
Quero gritar!

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Perdidamente Florbela













"E as minhas mãos, uns pálidos veludos,
traçam gestos de sonhos pelo ar..."


Eu assisti à minissérie "Perdidamente Florbela" que é uma biografia da maravilhosa poetisa Florbela Espanca, esta é a história de uma mulher "apaixonada e que apaixonou" e me deixou, sem dúvidas, ainda mais apaixonada por esse grande nome da poesia portuguesa! Um retrato da vida íntima de Florbela, com todos seus escândalos e paixões, eis aí uma mulher que viveu intensamente e com uma sede de amar. Seu sofrimento e seus conflitos internos, assim como todas as polêmicas que ainda cercam sua vida foram contadas de uma forma belíssima, e só poderia ser. Com direção de Vicente Alves do ó e estrelando Dalila Carmo no papel de Florbela, quem quiser conferir já está disponível no youtube a minissérie em três partes: aqui





Eu (Florbela Espanca)

Eu sou a que no mundo anda perdida, 
Eu sou a que na vida não tem norte, 
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte 
Sou a crucificada ... a dolorida ... 

Sombra de névoa ténue e esvaecida, 
E que o destino amargo, triste e forte, 
Impele brutalmente para a morte! 
Alma de luto sempre incompreendida! ... 

Sou aquela que passa e ninguém vê ... 
Sou a que chamam triste sem o ser ... 
Sou a que chora sem saber porquê ... 

Sou talvez a visão que Alguém sonhou, 
Alguém que veio ao mundo pra me ver 
E que nunca na vida me encontrou! 

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Chove! (José Gomes Ferreira)



Chove... 

Mas isso que importa!, 
se estou aqui abrigado nesta porta 
a ouvir a chuva que cai do céu 
uma melodia de silêncio 
que ninguém mais ouve 
senão eu? 

Chove... 

Mas é do destino 
de quem ama 
ouvir um violino 
até na lama. 

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Eu sei (Larissa Rocha)



"Eu sei e você sabe
Que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste"
(Vinicius de moraes) 

Eu sei, tudo que dissestes é verdade
Por mais que doa, e dói...  Eu sei,
Era hora de encarar nossa dura realidade
Mas também é verdade tudo que te falei.

Tuas palavras continuam em minha mente
Passam como um filme na minha cabeça
E eu assistia a tudo passivamente...
Nada fará com que eu esqueça.

Aquilo doeu, e tua ausência ainda dói
É um vazio que nunca será preenchido,
A saudade lentamente me destrói,
Faz-me desejar nunca ter te conhecido!

Mas então não saberia o que sei agora
Que amar às vezes é deixar partir,
Tua maior prova de amor foi ir embora
Eu sei, amor... E tudo isso por causa de ti!

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quarta-feira, 10 de abril de 2013

terça-feira, 9 de abril de 2013

Os versos que te beijam (Larissa Rocha)



Eis o que mais me entristece:
Amo-te tanto e nunca te beijei!
Ainda guardo em meus lábios
Todos os beijos que não te dei

Por isso ainda te mando versos
Como quem manda beijos
Para que eles te alcancem suaves
E deixem claros meus desejos

Minhas palavras viajam muito
Só para beijar-te a boca
Este é meu único intuito.

São palavras sem muita importância,
Mas aceita estes versos meus
Que te beijam à distância!

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sábado, 6 de abril de 2013

Volta pra mim (Larissa Rocha)



Volta pra mim, amor... Sinto tanta saudade!
Talvez não passe de um sonho intangível
Mas não quero viver nessa realidade
Sem ti, viver já se tornou impossível!

Se ainda resta algo do nosso amor
Volta... Não consigo te esquecer.
Ainda te amo... Volta, por favor!
Tu bem sabes que não quero te perder

Tenho ainda algumas coisas para te falar
Do nosso amor eu nunca desisti,
Essa distancia não pode acabar
Com o amor que sinto por ti

Eu não me acostumo com a tua ausência
Por isso ainda te espero e te procuro
Simplesmente tu és já minha essência
Só quero fazer parte do teu futuro

Ainda te quero de qualquer jeito
As coisas não precisam ser assim
Sei que nada mais será perfeito
Não importa como, apenas volta pra mim!

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quinta-feira, 4 de abril de 2013

Meu maior martírio (Larissa Rocha)



Meu maior martírio é não saber
Quando ou se tu voltarás um dia
É isso que enche minhas noites
De uma insuportável agonia

A angústia que castiga meu peito
É quando a noite chega, mas tu não.
É quando dá a nossa hora
E ela só traz frio e solidão

Perdoa, mas não consigo conter o choro.
As constelações, mal posso esperar para vê-las
Pois meu único consolo é ver
O brilho dos teus olhos na luz das estrelas.

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quarta-feira, 3 de abril de 2013

A louca (Larissa Rocha)

Para Marcelo


Desde o dia que te vi partir
Ando feito louca na rua
Vivo quase sem existir
E tudo isso é culpa tua!

Enlouqueci ainda na flor da idade
Sei que não foi tua intenção me magoar
Mas me diz como manter a sanidade
Se não posso mais te amar?

Ando com a alma atormentada
E ainda escuto tua voz na minha cabeça
Não me deixes aqui abandonada
Se não queres que eu enlouqueça

Passo o dia encolhida pelos cantos
E ouço dizer: “pobrezinha, enlouqueceu!”
Quando os outros me veem aos prantos
Entre soluços a chamar o nome teu

Lagrimas inundam os olhos meus
Quando sozinha na escuridão
Lembro-me do teu último “adeus”
Aquele que me fez perder a razão!




"Ai, a rua escura, o vento frio
Esta saudade, este vazio
Esta vontade de chorar
Ai, tua distância tão amiga
Esta ternura tão antiga
E o desencanto de esperar
Sim, eu não te amo porque quero
Ai, se eu pudesse esqueceria!
Vivo e vivo só porque te espero
Ai, esta amargura, esta agonia"




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domingo, 31 de março de 2013

Persistência (Larissa Rocha)



Luto contra o tempo aliado à distância
Pois o tempo sem ti passa impiedoso
E para tornar tudo mais doloroso
Ainda há tua habitual inconstância

E porque teu amor me é essencial
Prefiro acreditar que tudo vai dar certo
Que um dia vou te ter por perto
Luto porque te amo de um jeito visceral

Esta luta incansável simplesmente me assusta
Tuas palavras me deixam hesitante
E não acho a luta nem um pouco justa

Luto contra o risco iminente de te perder
Tenho medo de que me esqueças
Pois sei que nunca vou te esquecer 




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Não tenho ambições nem desejos.
Ser poeta não é uma ambição minha,
É minha maneira de estar sozinho.
(Fernando Pessoa)