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Querer e precisar (Larissa Rocha)

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O que quero e o que preciso Quase nunca coincidem Às vezes o coração fica indeciso E duas vontades colidem
Preciso do que me faz bem, É assim que tudo acontece Mas estou sempre a querer algo além Daquilo que a vida me oferece.
Flor Bela Rocha. Mais poemas meus aqui

A ausente (Vinicius de Moraes)

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Amiga, infinitamente amiga Em algum lugar teu coração bate por mim Em algum lugar teus olhos se fecham à ideia dos meus. Em algum lugar tuas mãos se crispam, teus seios Se enchem de leite, tu desfaleces e caminhas Como que cega ao meu encontro... Amiga, última doçura A tranquilidade suavizou a minha pele E os meus cabelos. Só meu ventre Te espera, cheio de raízes e de sombras. Vem, amiga Minha nudez é absoluta Meus olhos são espelhos para o teu desejo E meu peito é tábua de suplícios Vem. Meus músculos estão doces para os teus dentes E áspera é minha barba. Vem mergulhar em mim Como no mar, vem nadar em mim como no mar Vem te afogar em mim, amiga minha Em mim como no mar...
Uma pequena homenagem ao centenário de Vinicius de Moraes, mais informações no site http://www.viniciusdemoraes.com.br/pt-br

Ao luar (Augusto dos Anjos)

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Quando, à noite, o Infinito se levanta  A luz do luar, pelos caminhos quedos  Minha táctil intensidade é tanta  Que eu sinto a alma do Cosmos nos meus dedos! 
Quebro a custódia dos sentidos tredos  E a minha mão, dona, por fim, de quanta  Grandeza o Orbe estrangula em seus segredos,  Todas as coisas íntimas suplanta! 
Penetro, agarro, ausculto, apreendo, invado,  Nos paroxismos da hiperestesia,  O Infinitésimo e o Indeterminado... 
Transponho ousadamente o átomo rude  E, transmudado em rutilância fria,  Encho o Espaço com a minha plenitude! 

Meu coração (Larissa Rocha)

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Meu coração é como um quarto abafado Onde há muito tempo ninguém entra O mesmo velho perfume impregnado Onde a dor sempre se concentra
Mas de repente alguém abre uma janela Deixa a brisa fresca renovar o ar Deixa entrar a luz de uma manhã bela Então pude novamente respirar
Alguém que trouxe de volta a esperança Levou embora o a triste lembrança Esse alguém talvez seja Ele...
Alguém que trouxe de volta a poesia E me mostrou como aproveitar o dia Esse alguém só pode ser Ele!
Flor Bela Rocha
mais poemas meus aqui

Aos ombros dele (Larissa Rocha)

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Nunca me canso de olhar admirada As curvas tênues dos ombros dele, O tom claro da sua pele, Visão que me deixa hipnotizada 
É então que os desejos me consomem Quando ele despe a camisa, e com o peito desnudo Sou capaz de entregar-me em tudo Aos músculos fortes dos ombros desse homem.
E o desejo tanto  que quase não resisto À tentação de beijar essa fina película Seguir com os lábios a linha da clavícula Até o esterno, onde repousa uma medalha do cristo!
Flor Bela Rocha.

Vozes de um túmulo (Augusto dos anjos)

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Morri! E a Terra - a mãe comum - o brilho  Destes meus olhos apagou!... Assim  Tântalo, aos reais convivas, num festim,  Serviu as carnes do seu próprio filho! 
Por que para este cemitério vim?!  Por quê?! Antes da vida o angusto trilho  Palmilhasse, do que este que palmilho  E que me assombra, porque não tem fim! 
No ardor do sonho que o fronema exalta  Construí de orgulho ênea pirâmide alta,  Hoje, porém, que se desmoronou 
A pirâmide real do meu orgulho,  Hoje que apenas sou matéria e entulho  Tenho consciência de que nada sou! 

A efemeridade do ser humano por Augusto dos Anjos:  Nos versos acima fica clara a visão do poeta sobre a sociedade e sobre si mesmo, o "poeta do horrível" nos brinda mais uma vez com sua linguagem ácida e cheia de escárnio. No soneto Vozes de um túmulo são expostas as fraquezas humanas "Construí de orgulho ênea pirâmide alta" em contraposição com o fatalismo da morte e a incapacidade de alcançar a parte mais profunda do ser "Tenho consciência de q…

Poema (Mário Cesariny)

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Em todas as ruas te encontro em todas as ruas te perco conheço tão bem o teu corpo sonhei tanto a tua figura que é de olhos fechados que eu ando a limitar a tua altura e bebo a água e sorvo o ar que te atravessou a cintura tanto tão perto tão real que o meu corpo se transfigura e toca o seu próprio elemento num corpo que já não é seu num rio que desapareceu onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro em todas as ruas te perco