terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Para quê?! (Florbela Espanca)



Tudo é vaidade neste mundo vão…
Tudo é tristeza, tudo é pó, é nada!
E mal desponta em nós a madrugada,
Vem logo a noite encher o coração!

 Até o amor nos mente, essa canção
Que o nosso peito ri à gargalhada,
Flor que é nascida e logo desfolhada,
Pétalas que se pisam pelo chão!…

 Beijos de amor! Pra quê?! …
Tristes vaidades! Sonhos que logo são realidades,
Que nos deixam a alma como morta!

 Só neles acredita quem é louca!
Beijos de amor que vão de boca em boca,
Como pobres que vão de porta em porta!…

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Nos meus olhos (Larissa Rocha)



Todo vez que meus olhos encontram tua face
Num breve instante, a tua no meio da multidão,
Vem uma dor, não sei de onde, no meu encalce
E sinto um aperto forte no coração

Esse aperto eu conheço bem, é a saudade
De um romance rápido como um trovão
Que deixou só a vontade
De um amor que foi só minha ilusão

Nos meus olhos eu tento te falar
Aquilo que me falta coragem pra dizer
A paixão que não posso mais esconder

A vontade que eu tenho de te amar...
A dor nos meus olhos, qualquer um pode ver
Apenas tu não podes e me deixas assim a sofrer!

Flor Bela Rocha 


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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Querer e precisar (Larissa Rocha)



O que quero e o que preciso
Quase nunca coincidem
Às vezes o coração fica indeciso
E duas vontades colidem

Preciso do que me faz bem,
É assim que tudo acontece
Mas estou sempre a querer algo além
Daquilo que a vida me oferece.

Flor Bela Rocha. Mais poemas meus aqui

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

A ausente (Vinicius de Moraes)



Amiga, infinitamente amiga
Em algum lugar teu coração bate por mim
Em algum lugar teus olhos se fecham à ideia dos meus.
Em algum lugar tuas mãos se crispam, teus seios
Se enchem de leite, tu desfaleces e caminhas
Como que cega ao meu encontro...
Amiga, última doçura
A tranquilidade suavizou a minha pele
E os meus cabelos. Só meu ventre
Te espera, cheio de raízes e de sombras.
Vem, amiga
Minha nudez é absoluta
Meus olhos são espelhos para o teu desejo
E meu peito é tábua de suplícios
Vem. Meus músculos estão doces para os teus dentes
E áspera é minha barba. Vem mergulhar em mim
Como no mar, vem nadar em mim como no mar
Vem te afogar em mim, amiga minha
Em mim como no mar...

Uma pequena homenagem ao centenário de Vinicius de Moraes, mais informações no site http://www.viniciusdemoraes.com.br/pt-br 

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Ao luar (Augusto dos Anjos)



Quando, à noite, o Infinito se levanta 
A luz do luar, pelos caminhos quedos 
Minha táctil intensidade é tanta 
Que eu sinto a alma do Cosmos nos meus dedos! 

Quebro a custódia dos sentidos tredos 
E a minha mão, dona, por fim, de quanta 
Grandeza o Orbe estrangula em seus segredos, 
Todas as coisas íntimas suplanta! 

Penetro, agarro, ausculto, apreendo, invado, 
Nos paroxismos da hiperestesia, 
O Infinitésimo e o Indeterminado... 

Transponho ousadamente o átomo rude 
E, transmudado em rutilância fria, 
Encho o Espaço com a minha plenitude! 

sábado, 28 de setembro de 2013

Meu coração (Larissa Rocha)



Meu coração é como um quarto abafado
Onde há muito tempo ninguém entra
O mesmo velho perfume impregnado
Onde a dor sempre se concentra

Mas de repente alguém abre uma janela
Deixa a brisa fresca renovar o ar
Deixa entrar a luz de uma manhã bela
Então pude novamente respirar

Alguém que trouxe de volta a esperança
Levou embora o a triste lembrança
Esse alguém talvez seja Ele...

Alguém que trouxe de volta a poesia
E me mostrou como aproveitar o dia
Esse alguém só pode ser Ele!

Flor Bela Rocha

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segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Aos ombros dele (Larissa Rocha)


Nunca me canso de olhar admirada
As curvas tênues dos ombros dele,
O tom claro da sua pele,
Visão que me deixa hipnotizada 

É então que os desejos me consomem
Quando ele despe a camisa, e com o peito desnudo
Sou capaz de entregar-me em tudo
Aos músculos fortes dos ombros desse homem.

E o desejo tanto  que quase não resisto
À tentação de beijar essa fina película
Seguir com os lábios a linha da clavícula
Até o esterno, onde repousa uma medalha do cristo!



Não tenho ambições nem desejos.
Ser poeta não é uma ambição minha,
É minha maneira de estar sozinho.
(Fernando Pessoa)