quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Natimorto


Tenho pena dos meus poemas
Que morrem no primeiro verso
Eles contariam meus dilemas
Mas se perdem em outro universo

Eles morrem antes da criação
E se vão deste mundo
Quando eu perco a inspiração
Abandono o verso moribundo

Ai de mim! Que mal me roubou
O verso e a prosa?
Que minha vida sem poesia
É como espinhos sem rosa!

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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Infinito (Larissa Rocha)

Após concluir a leitura de  A culpa é das estrelas (John Green), fiquei refletindo sobre o amor e sua suposta eternidade. Não sou a pessoa mais qualificada para fazer uma resenha crítica sobre o livro (se bem que eu gostaria muito de fazê-la) mas, se me perguntassem eu diria simplesmente "arrebatador"; O assunto principal desse post é que acabei tecendo alguns versos que na verdade são uma homenagem e eu gostaria de compartilhá-los.



"Alguns infinitos são maiores que outros."
(Green)

(fonte da imagem http://www.intrinseca.com.br/blogdasseries/2012/07/fan-arts-de-a-culpa-e-das-estrelas/)


Se teu olhar é suficiente para me deixar extasiada,
Vem amor, não façamos promessa alguma
Olhe bem fundo nos meus olhos... não diga nada
Deixe apenas eu unir minha boca a tua.

Os infinitos são sempre tão ambiciosos...
Não caia nessa tentação, nessa vaidade,
Só me ofereça esses lábios fervorosos,
Que um beijo apaixonado dura uma eternidade!

Façamos do hoje, o nosso sempre, querido
E ao menos por hoje eu posso te amar,
Desestruturando o conceito do infinito
Posso ser tua pelo instante que isso durar...



terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Para quê?! (Florbela Espanca)



Tudo é vaidade neste mundo vão…
Tudo é tristeza, tudo é pó, é nada!
E mal desponta em nós a madrugada,
Vem logo a noite encher o coração!

 Até o amor nos mente, essa canção
Que o nosso peito ri à gargalhada,
Flor que é nascida e logo desfolhada,
Pétalas que se pisam pelo chão!…

 Beijos de amor! Pra quê?! …
Tristes vaidades! Sonhos que logo são realidades,
Que nos deixam a alma como morta!

 Só neles acredita quem é louca!
Beijos de amor que vão de boca em boca,
Como pobres que vão de porta em porta!…

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Nos meus olhos (Larissa Rocha)



Todo vez que meus olhos encontram tua face
Num breve instante, a tua no meio da multidão,
Vem uma dor, não sei de onde, no meu encalce
E sinto um aperto forte no coração

Esse aperto eu conheço bem, é a saudade
De um romance rápido como um trovão
Que deixou só a vontade
De um amor que foi só minha ilusão

Nos meus olhos eu tento te falar
Aquilo que me falta coragem pra dizer
A paixão que não posso mais esconder

A vontade que eu tenho de te amar...
A dor nos meus olhos, qualquer um pode ver
Apenas tu não podes e me deixas assim a sofrer!

Flor Bela Rocha 


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quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Querer e precisar (Larissa Rocha)



O que quero e o que preciso
Quase nunca coincidem
Às vezes o coração fica indeciso
E duas vontades colidem

Preciso do que me faz bem,
É assim que tudo acontece
Mas estou sempre a querer algo além
Daquilo que a vida me oferece.

Flor Bela Rocha. Mais poemas meus aqui

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

A ausente (Vinicius de Moraes)



Amiga, infinitamente amiga
Em algum lugar teu coração bate por mim
Em algum lugar teus olhos se fecham à ideia dos meus.
Em algum lugar tuas mãos se crispam, teus seios
Se enchem de leite, tu desfaleces e caminhas
Como que cega ao meu encontro...
Amiga, última doçura
A tranquilidade suavizou a minha pele
E os meus cabelos. Só meu ventre
Te espera, cheio de raízes e de sombras.
Vem, amiga
Minha nudez é absoluta
Meus olhos são espelhos para o teu desejo
E meu peito é tábua de suplícios
Vem. Meus músculos estão doces para os teus dentes
E áspera é minha barba. Vem mergulhar em mim
Como no mar, vem nadar em mim como no mar
Vem te afogar em mim, amiga minha
Em mim como no mar...

Uma pequena homenagem ao centenário de Vinicius de Moraes, mais informações no site http://www.viniciusdemoraes.com.br/pt-br 

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Ao luar (Augusto dos Anjos)



Quando, à noite, o Infinito se levanta 
A luz do luar, pelos caminhos quedos 
Minha táctil intensidade é tanta 
Que eu sinto a alma do Cosmos nos meus dedos! 

Quebro a custódia dos sentidos tredos 
E a minha mão, dona, por fim, de quanta 
Grandeza o Orbe estrangula em seus segredos, 
Todas as coisas íntimas suplanta! 

Penetro, agarro, ausculto, apreendo, invado, 
Nos paroxismos da hiperestesia, 
O Infinitésimo e o Indeterminado... 

Transponho ousadamente o átomo rude 
E, transmudado em rutilância fria, 
Encho o Espaço com a minha plenitude! 

Não tenho ambições nem desejos.
Ser poeta não é uma ambição minha,
É minha maneira de estar sozinho.
(Fernando Pessoa)