sábado, 18 de janeiro de 2014

Abandono (Larissa Rocha)



A sensação é de ter acordado de um longo sono
O corpo todo dormente, alma dolorida,
Os olhos inchados... Marcas do abandono
Na boca ainda o forte sabor da despedida!

Levanto trôpega e tateio ao meu redor
Tento em vão me acostumar com tua ausência,
Com a ideia de que poderia ser pior,
E com o fato de que estou à beira da demência.

Talvez tudo isso tenha sido um sonho confuso
Daqueles que se acorda pedindo socorro
Com um sentimento impreciso e obtuso.

Mas o sonho acabou, e minha vida foi-se também
Junto com nosso sonho antigo eu morro
Levando esse amor, desta vida para além.

Flor Bela Rocha

Tudo de mim (Larissa Rocha)



Eu tento muito fingir que não me importo
E falho ao esconder o sentimento que só cresce…
Esqueço a loucura da paixão e me comporto,
Mas chega a ser ridículo, porque a paixão transparece.
Ignoro o fato de que tudo nele é perfeito
Mas fico pendurada em cada palavra que ele diz
Tento até fingir que não notei o delicioso jeito
Que o jeans se pendura nos seus quadris

Aquele olhar quente derrete meu coração…
Torço para que ele pare de me olhar assim
Que meu coração bobo não resiste a esta tentação
É com esse olhar que ele consegue tudo de mim!

Flor Bela Rocha.

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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Deixei de ouvir-te (Maria do Rosário Pedreira)



Deixei de ouvir-te. 
E sei que sou mais triste com o teu silêncio. 

Preferia pensar que só adormeceste; mas 
se encostar ao teu pulso o meu ouvido 
não escutarei senão a minha dor. 

Deus precisou de ti, bem sei. E 
não vejo como censurá-lo 

 ou perdoar-lhe.

Natimorto


Tenho pena dos meus poemas
Que morrem no primeiro verso
Eles contariam meus dilemas
Mas se perdem em outro universo

Eles morrem antes da criação
E se vão deste mundo
Quando eu perco a inspiração
Abandono o verso moribundo

Ai de mim! Que mal me roubou
O verso e a prosa?
Que minha vida sem poesia
É como espinhos sem rosa!

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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Infinito (Larissa Rocha)

Após concluir a leitura de  A culpa é das estrelas (John Green), fiquei refletindo sobre o amor e sua suposta eternidade. Não sou a pessoa mais qualificada para fazer uma resenha crítica sobre o livro (se bem que eu gostaria muito de fazê-la) mas, se me perguntassem eu diria simplesmente "arrebatador"; O assunto principal desse post é que acabei tecendo alguns versos que na verdade são uma homenagem e eu gostaria de compartilhá-los.



"Alguns infinitos são maiores que outros."
(Green)

(fonte da imagem http://www.intrinseca.com.br/blogdasseries/2012/07/fan-arts-de-a-culpa-e-das-estrelas/)


Se teu olhar é suficiente para me deixar extasiada,
Vem amor, não façamos promessa alguma
Olhe bem fundo nos meus olhos... não diga nada
Deixe apenas eu unir minha boca a tua.

Os infinitos são sempre tão ambiciosos...
Não caia nessa tentação, nessa vaidade,
Só me ofereça esses lábios fervorosos,
Que um beijo apaixonado dura uma eternidade!

Façamos do hoje, o nosso sempre, querido
E ao menos por hoje eu posso te amar,
Desestruturando o conceito do infinito
Posso ser tua pelo instante que isso durar...



terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Para quê?! (Florbela Espanca)



Tudo é vaidade neste mundo vão…
Tudo é tristeza, tudo é pó, é nada!
E mal desponta em nós a madrugada,
Vem logo a noite encher o coração!

 Até o amor nos mente, essa canção
Que o nosso peito ri à gargalhada,
Flor que é nascida e logo desfolhada,
Pétalas que se pisam pelo chão!…

 Beijos de amor! Pra quê?! …
Tristes vaidades! Sonhos que logo são realidades,
Que nos deixam a alma como morta!

 Só neles acredita quem é louca!
Beijos de amor que vão de boca em boca,
Como pobres que vão de porta em porta!…

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Nos meus olhos (Larissa Rocha)



Todo vez que meus olhos encontram tua face
Num breve instante, a tua no meio da multidão,
Vem uma dor, não sei de onde, no meu encalce
E sinto um aperto forte no coração

Esse aperto eu conheço bem, é a saudade
De um romance rápido como um trovão
Que deixou só a vontade
De um amor que foi só minha ilusão

Nos meus olhos eu tento te falar
Aquilo que me falta coragem pra dizer
A paixão que não posso mais esconder

A vontade que eu tenho de te amar...
A dor nos meus olhos, qualquer um pode ver
Apenas tu não podes e me deixas assim a sofrer!

Flor Bela Rocha 


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Não tenho ambições nem desejos.
Ser poeta não é uma ambição minha,
É minha maneira de estar sozinho.
(Fernando Pessoa)