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Poema instantâneo (Larissa Rocha)

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Um poema Num instante Que dura um olhar Uma boca Hesitante Que anseia por beijar Uma aflição Constante De amar ou não amar!

Eu te tenho (Larissa Rocha)

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Eu conheço teus segredos Enxergo o mais íntimo de ti Tuas histórias eu já li Sei todos os teus medos
Pensas que te conheço pouco? Eu vejo teu coração partido Sei qual teu livro preferido Sei mil formas de te deixar louco
Eu decifro tuas poesias… Agora que conheço teu passado Posso ver teu outro lado, Eu te tenho… E tu nem sabias!
(Flor Bela Rocha)

Passei a noite toda, sem dormir (Fernando Pessoa)

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Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela,  E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela.  Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala,  E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança.  Amar é pensar.  E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela.  Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela.  Tenho uma grande distracção animada.  Quando desejo encontrá-la  Quase que prefiro não a encontrar,  Para não ter que a deixar depois.  Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero. Quero só Pensar nela.  Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar.

Abandono (Larissa Rocha)

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A sensação é de ter acordado de um longo sono O corpo todo dormente, alma dolorida, Os olhos inchados... Marcas do abandono Na boca ainda o forte sabor da despedida!
Levanto trôpega e tateio ao meu redor Tento em vão me acostumar com tua ausência, Com a ideia de que poderia ser pior, E com o fato de que estou à beira da demência.
Talvez tudo isso tenha sido um sonho confuso Daqueles que se acorda pedindo socorro Com um sentimento impreciso e obtuso.
Mas o sonho acabou, e minha vida foi-se também Junto com nosso sonho antigo eu morro Levando esse amor, desta vida para além.
Flor Bela Rocha

Tudo de mim (Larissa Rocha)

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Eu tento muito fingir que não me importo E falho ao esconder o sentimento que só cresce… Esqueço a loucura da paixão e me comporto, Mas chega a ser ridículo, porque a paixão transparece. Ignoro o fato de que tudo nele é perfeito Mas fico pendurada em cada palavra que ele diz Tento até fingir que não notei o delicioso jeito Que o jeans se pendura nos seus quadris
Aquele olhar quente derrete meu coração… Torço para que ele pare de me olhar assim Que meu coração bobo não resiste a esta tentação É com esse olhar que ele consegue tudo de mim!
Flor Bela Rocha.
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Deixei de ouvir-te (Maria do Rosário Pedreira)

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Deixei de ouvir-te.  E sei que sou mais triste com o teu silêncio. 
Preferia pensar que só adormeceste; mas  se encostar ao teu pulso o meu ouvido  não escutarei senão a minha dor. 
Deus precisou de ti, bem sei. E  não vejo como censurá-lo 
 ou perdoar-lhe.

Natimorto

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Tenho pena dos meus poemas Que morrem no primeiro verso Eles contariam meus dilemas Mas se perdem em outro universo
Eles morrem antes da criação E se vão deste mundo Quando eu perco a inspiração Abandono o verso moribundo
Ai de mim! Que mal me roubou O verso e a prosa? Que minha vida sem poesia É como espinhos sem rosa!
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Infinito (Larissa Rocha)

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Após concluir a leitura de  A culpa é das estrelas (John Green), fiquei refletindo sobre o amor e sua suposta eternidade. Não sou a pessoa mais qualificada para fazer uma resenha crítica sobre o livro (se bem que eu gostaria muito de fazê-la) mas, se me perguntassem eu diria simplesmente "arrebatador"; O assunto principal desse post é que acabei tecendo alguns versos que na verdade são uma homenagem e eu gostaria de compartilhá-los.



"Alguns infinitos são maiores que outros." (Green)
(fonte da imagem http://www.intrinseca.com.br/blogdasseries/2012/07/fan-arts-de-a-culpa-e-das-estrelas/)

Se teu olhar é suficiente para me deixar extasiada, Vem amor, não façamos promessa alguma Olhe bem fundo nos meus olhos... não diga nada Deixe apenas eu unir minha boca a tua.
Os infinitos são sempre tão ambiciosos... Não caia nessa tentação, nessa vaidade, Só me ofereça esses lábios fervorosos, Que um beijo apaixonado dura uma eternidade!
Façamos do hoje, o nosso sempre, querido E ao menos por h…

Para quê?! (Florbela Espanca)

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Tudo é vaidade neste mundo vão… Tudo é tristeza, tudo é pó, é nada! E mal desponta em nós a madrugada, Vem logo a noite encher o coração!
 Até o amor nos mente, essa canção Que o nosso peito ri à gargalhada, Flor que é nascida e logo desfolhada, Pétalas que se pisam pelo chão!…
 Beijos de amor! Pra quê?! … Tristes vaidades! Sonhos que logo são realidades, Que nos deixam a alma como morta!
 Só neles acredita quem é louca! Beijos de amor que vão de boca em boca, Como pobres que vão de porta em porta!…

Nos meus olhos (Larissa Rocha)

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Todo vez que meus olhos encontram tua face Num breve instante, a tua no meio da multidão, Vem uma dor, não sei de onde, no meu encalce E sinto um aperto forte no coração
Esse aperto eu conheço bem, é a saudade De um romance rápido como um trovão Que deixou só a vontade De um amor que foi só minha ilusão
Nos meus olhos eu tento te falar Aquilo que me falta coragem pra dizer A paixão que não posso mais esconder

A vontade que eu tenho de te amar... A dor nos meus olhos, qualquer um pode ver Apenas tu não podes e me deixas assim a sofrer!

Flor Bela Rocha 


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Querer e precisar (Larissa Rocha)

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O que quero e o que preciso Quase nunca coincidem Às vezes o coração fica indeciso E duas vontades colidem
Preciso do que me faz bem, É assim que tudo acontece Mas estou sempre a querer algo além Daquilo que a vida me oferece.
Flor Bela Rocha. Mais poemas meus aqui

A ausente (Vinicius de Moraes)

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Amiga, infinitamente amiga Em algum lugar teu coração bate por mim Em algum lugar teus olhos se fecham à ideia dos meus. Em algum lugar tuas mãos se crispam, teus seios Se enchem de leite, tu desfaleces e caminhas Como que cega ao meu encontro... Amiga, última doçura A tranquilidade suavizou a minha pele E os meus cabelos. Só meu ventre Te espera, cheio de raízes e de sombras. Vem, amiga Minha nudez é absoluta Meus olhos são espelhos para o teu desejo E meu peito é tábua de suplícios Vem. Meus músculos estão doces para os teus dentes E áspera é minha barba. Vem mergulhar em mim Como no mar, vem nadar em mim como no mar Vem te afogar em mim, amiga minha Em mim como no mar...
Uma pequena homenagem ao centenário de Vinicius de Moraes, mais informações no site http://www.viniciusdemoraes.com.br/pt-br

Ao luar (Augusto dos Anjos)

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Quando, à noite, o Infinito se levanta  A luz do luar, pelos caminhos quedos  Minha táctil intensidade é tanta  Que eu sinto a alma do Cosmos nos meus dedos! 
Quebro a custódia dos sentidos tredos  E a minha mão, dona, por fim, de quanta  Grandeza o Orbe estrangula em seus segredos,  Todas as coisas íntimas suplanta! 
Penetro, agarro, ausculto, apreendo, invado,  Nos paroxismos da hiperestesia,  O Infinitésimo e o Indeterminado... 
Transponho ousadamente o átomo rude  E, transmudado em rutilância fria,  Encho o Espaço com a minha plenitude! 

Meu coração (Larissa Rocha)

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Meu coração é como um quarto abafado Onde há muito tempo ninguém entra O mesmo velho perfume impregnado Onde a dor sempre se concentra
Mas de repente alguém abre uma janela Deixa a brisa fresca renovar o ar Deixa entrar a luz de uma manhã bela Então pude novamente respirar
Alguém que trouxe de volta a esperança Levou embora o a triste lembrança Esse alguém talvez seja Ele...
Alguém que trouxe de volta a poesia E me mostrou como aproveitar o dia Esse alguém só pode ser Ele!
Flor Bela Rocha
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Aos ombros dele (Larissa Rocha)

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Nunca me canso de olhar admirada As curvas tênues dos ombros dele, O tom claro da sua pele, Visão que me deixa hipnotizada 
É então que os desejos me consomem Quando ele despe a camisa, e com o peito desnudo Sou capaz de entregar-me em tudo Aos músculos fortes dos ombros desse homem.
E o desejo tanto  que quase não resisto À tentação de beijar essa fina película Seguir com os lábios a linha da clavícula Até o esterno, onde repousa uma medalha do cristo!
Flor Bela Rocha.

Vozes de um túmulo (Augusto dos anjos)

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Morri! E a Terra - a mãe comum - o brilho  Destes meus olhos apagou!... Assim  Tântalo, aos reais convivas, num festim,  Serviu as carnes do seu próprio filho! 
Por que para este cemitério vim?!  Por quê?! Antes da vida o angusto trilho  Palmilhasse, do que este que palmilho  E que me assombra, porque não tem fim! 
No ardor do sonho que o fronema exalta  Construí de orgulho ênea pirâmide alta,  Hoje, porém, que se desmoronou 
A pirâmide real do meu orgulho,  Hoje que apenas sou matéria e entulho  Tenho consciência de que nada sou! 

A efemeridade do ser humano por Augusto dos Anjos:  Nos versos acima fica clara a visão do poeta sobre a sociedade e sobre si mesmo, o "poeta do horrível" nos brinda mais uma vez com sua linguagem ácida e cheia de escárnio. No soneto Vozes de um túmulo são expostas as fraquezas humanas "Construí de orgulho ênea pirâmide alta" em contraposição com o fatalismo da morte e a incapacidade de alcançar a parte mais profunda do ser "Tenho consciência de q…

Poema (Mário Cesariny)

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Em todas as ruas te encontro em todas as ruas te perco conheço tão bem o teu corpo sonhei tanto a tua figura que é de olhos fechados que eu ando a limitar a tua altura e bebo a água e sorvo o ar que te atravessou a cintura tanto tão perto tão real que o meu corpo se transfigura e toca o seu próprio elemento num corpo que já não é seu num rio que desapareceu onde um braço teu me procura
Em todas as ruas te encontro em todas as ruas te perco

Minha crença (Larissa Rocha)

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“Eu sou teu deus”, ele me disse certa vez, Com um ar mais arrogante que bendito E a verdade é que eu o adoro, Ele é meu deus e é o único no qual acredito.
E foi assim que passei a crer nesse deus Forte e onipotente, cálido e sensual, Rogo-lhe para levar-me ao paraíso Divino com gosto de pecado original
Sagrada seja a luz daqueles olhos! Ele é meu maior pecado, e única salvação Minha perdição é em seus beijos e abraços E amá-lo tanto é minha vocação.

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Sem remédio (Florbela Espanca)

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Aqueles que me têm muito amor  Não sabem o que sinto e o que sou...  Não sabem que passou, um dia, a Dor  À minha porta e, nesse dia, entrou. 
E é desde então que eu sinto este pavor,  Este frio que anda em mim, e que gelou  O que de bom me deu Nosso Senhor!  Se eu nem sei por onde ando e onde vou!! 
Sinto os passos de Dor, essa cadência  Que é já tortura infinda, que é demência!  Que é já vontade doida de gritar! 
E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio,  A mesma angústia funda, sem remédio,  Andando atrás de mim, sem me largar! 

Versos do dia

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Música: Espumas ao Vento Composição: Acioly Neto (1997)
"De uma coisa fique certa,amor A porta vai estar sempre aberta,amor O meu olhar vai dar uma festa,amor Na hora que você chegar"