segunda-feira, 24 de março de 2014

Tua voz (Larissa Rocha)



Tua voz envolve meu corpo com um abraço
E quase posso sentir tua respiração quente
Falando ao meu ouvido, tua boca bem rente, 
É impossível sair deste laço… 

Tua voz pronuncia o nome meu
Saboreando cada sílaba… bem devagar
É como se ela estivesse a proclamar
Algo que sempre foi teu…

Tua voz rompe o silêncio da minha mente
E logo me vejo enlouquecida,
Por tua voz confortada e aquecida,
Não me esqueço dela por mais que eu tente. 

quinta-feira, 20 de março de 2014

Quando eu te vejo (Larissa Rocha)




Quando eu te vejo, reparo logo em teus olhos…
Olhar escuro sensual, profundo como tua alma.
Em seguida, teus dentes perfeitos num lindo sorriso,
O som do teu riso me envolve e me acalma.

Quanto eu te vejo, passo bem perto de ti…
O suficiente para sentir teu cheiro, e inspiro
O frescor do teu perfume inebriante,
Poderia ter esse perfume todo o ar que respiro…

E o jeito que tu caminhas triunfante
Revela teu porte de semideus,
Reparo em teu jeito de andar elegante.

Te ver é como ter uma visão do paraíso
És o mais belo dos sonhos meus,
E quando eu te vejo, perco o que me resta de juízo.

Poema instantâneo (Larissa Rocha)


Um poema
Num instante
Que dura um olhar
Uma boca
Hesitante
Que anseia por beijar
Uma aflição
Constante
De amar ou não amar!

sábado, 15 de fevereiro de 2014

Eu te tenho (Larissa Rocha)


Eu conheço teus segredos
Enxergo o mais íntimo de ti
Tuas histórias eu já li
Sei todos os teus medos

Pensas que te conheço pouco?
Eu vejo teu coração partido
Sei qual teu livro preferido
Sei mil formas de te deixar louco

Eu decifro tuas poesias…
Agora que conheço teu passado
Posso ver teu outro lado,
Eu te tenho… E tu nem sabias!

(Flor Bela Rocha)

sábado, 18 de janeiro de 2014

Passei a noite toda, sem dormir (Fernando Pessoa)



Passei toda a noite, sem dormir, vendo, sem espaço, a figura dela, 
E vendo-a sempre de maneiras diferentes do que a encontro a ela. 
Faço pensamentos com a recordação do que ela é quando me fala, 
E em cada pensamento ela varia de acordo com a sua semelhança. 
Amar é pensar. 
E eu quase que me esqueço de sentir só de pensar nela. 
Não sei bem o que quero, mesmo dela, e eu não penso senão nela. 
Tenho uma grande distracção animada. 
Quando desejo encontrá-la 
Quase que prefiro não a encontrar, 
Para não ter que a deixar depois. 
Não sei bem o que quero, nem quero saber o que quero. Quero só Pensar nela. 
Não peço nada a ninguém, nem a ela, senão pensar. 

Abandono (Larissa Rocha)



A sensação é de ter acordado de um longo sono
O corpo todo dormente, alma dolorida,
Os olhos inchados... Marcas do abandono
Na boca ainda o forte sabor da despedida!

Levanto trôpega e tateio ao meu redor
Tento em vão me acostumar com tua ausência,
Com a ideia de que poderia ser pior,
E com o fato de que estou à beira da demência.

Talvez tudo isso tenha sido um sonho confuso
Daqueles que se acorda pedindo socorro
Com um sentimento impreciso e obtuso.

Mas o sonho acabou, e minha vida foi-se também
Junto com nosso sonho antigo eu morro
Levando esse amor, desta vida para além.

Flor Bela Rocha

Tudo de mim (Larissa Rocha)



Eu tento muito fingir que não me importo
E falho ao esconder o sentimento que só cresce…
Esqueço a loucura da paixão e me comporto,
Mas chega a ser ridículo, porque a paixão transparece.
Ignoro o fato de que tudo nele é perfeito
Mas fico pendurada em cada palavra que ele diz
Tento até fingir que não notei o delicioso jeito
Que o jeans se pendura nos seus quadris

Aquele olhar quente derrete meu coração…
Torço para que ele pare de me olhar assim
Que meu coração bobo não resiste a esta tentação
É com esse olhar que ele consegue tudo de mim!

Flor Bela Rocha.

Mais poemas meus aqui

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Deixei de ouvir-te (Maria do Rosário Pedreira)



Deixei de ouvir-te. 
E sei que sou mais triste com o teu silêncio. 

Preferia pensar que só adormeceste; mas 
se encostar ao teu pulso o meu ouvido 
não escutarei senão a minha dor. 

Deus precisou de ti, bem sei. E 
não vejo como censurá-lo 

 ou perdoar-lhe.

Natimorto


Tenho pena dos meus poemas
Que morrem no primeiro verso
Eles contariam meus dilemas
Mas se perdem em outro universo

Eles morrem antes da criação
E se vão deste mundo
Quando eu perco a inspiração
Abandono o verso moribundo

Ai de mim! Que mal me roubou
O verso e a prosa?
Que minha vida sem poesia
É como espinhos sem rosa!

Mais poemas meus aqui

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Infinito (Larissa Rocha)

Após concluir a leitura de  A culpa é das estrelas (John Green), fiquei refletindo sobre o amor e sua suposta eternidade. Não sou a pessoa mais qualificada para fazer uma resenha crítica sobre o livro (se bem que eu gostaria muito de fazê-la) mas, se me perguntassem eu diria simplesmente "arrebatador"; O assunto principal desse post é que acabei tecendo alguns versos que na verdade são uma homenagem e eu gostaria de compartilhá-los.



"Alguns infinitos são maiores que outros."
(Green)

(fonte da imagem http://www.intrinseca.com.br/blogdasseries/2012/07/fan-arts-de-a-culpa-e-das-estrelas/)


Se teu olhar é suficiente para me deixar extasiada,
Vem amor, não façamos promessa alguma
Olhe bem fundo nos meus olhos... não diga nada
Deixe apenas eu unir minha boca a tua.

Os infinitos são sempre tão ambiciosos...
Não caia nessa tentação, nessa vaidade,
Só me ofereça esses lábios fervorosos,
Que um beijo apaixonado dura uma eternidade!

Façamos do hoje, o nosso sempre, querido
E ao menos por hoje eu posso te amar,
Desestruturando o conceito do infinito
Posso ser tua pelo instante que isso durar...



terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Para quê?! (Florbela Espanca)



Tudo é vaidade neste mundo vão…
Tudo é tristeza, tudo é pó, é nada!
E mal desponta em nós a madrugada,
Vem logo a noite encher o coração!

 Até o amor nos mente, essa canção
Que o nosso peito ri à gargalhada,
Flor que é nascida e logo desfolhada,
Pétalas que se pisam pelo chão!…

 Beijos de amor! Pra quê?! …
Tristes vaidades! Sonhos que logo são realidades,
Que nos deixam a alma como morta!

 Só neles acredita quem é louca!
Beijos de amor que vão de boca em boca,
Como pobres que vão de porta em porta!…

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Nos meus olhos (Larissa Rocha)



Todo vez que meus olhos encontram tua face
Num breve instante, a tua no meio da multidão,
Vem uma dor, não sei de onde, no meu encalce
E sinto um aperto forte no coração

Esse aperto eu conheço bem, é a saudade
De um romance rápido como um trovão
Que deixou só a vontade
De um amor que foi só minha ilusão

Nos meus olhos eu tento te falar
Aquilo que me falta coragem pra dizer
A paixão que não posso mais esconder

A vontade que eu tenho de te amar...
A dor nos meus olhos, qualquer um pode ver
Apenas tu não podes e me deixas assim a sofrer!

Flor Bela Rocha 


mais poemas meus aqui

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Querer e precisar (Larissa Rocha)



O que quero e o que preciso
Quase nunca coincidem
Às vezes o coração fica indeciso
E duas vontades colidem

Preciso do que me faz bem,
É assim que tudo acontece
Mas estou sempre a querer algo além
Daquilo que a vida me oferece.

Flor Bela Rocha. Mais poemas meus aqui

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

A ausente (Vinicius de Moraes)



Amiga, infinitamente amiga
Em algum lugar teu coração bate por mim
Em algum lugar teus olhos se fecham à ideia dos meus.
Em algum lugar tuas mãos se crispam, teus seios
Se enchem de leite, tu desfaleces e caminhas
Como que cega ao meu encontro...
Amiga, última doçura
A tranquilidade suavizou a minha pele
E os meus cabelos. Só meu ventre
Te espera, cheio de raízes e de sombras.
Vem, amiga
Minha nudez é absoluta
Meus olhos são espelhos para o teu desejo
E meu peito é tábua de suplícios
Vem. Meus músculos estão doces para os teus dentes
E áspera é minha barba. Vem mergulhar em mim
Como no mar, vem nadar em mim como no mar
Vem te afogar em mim, amiga minha
Em mim como no mar...

Uma pequena homenagem ao centenário de Vinicius de Moraes, mais informações no site http://www.viniciusdemoraes.com.br/pt-br 

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Ao luar (Augusto dos Anjos)



Quando, à noite, o Infinito se levanta 
A luz do luar, pelos caminhos quedos 
Minha táctil intensidade é tanta 
Que eu sinto a alma do Cosmos nos meus dedos! 

Quebro a custódia dos sentidos tredos 
E a minha mão, dona, por fim, de quanta 
Grandeza o Orbe estrangula em seus segredos, 
Todas as coisas íntimas suplanta! 

Penetro, agarro, ausculto, apreendo, invado, 
Nos paroxismos da hiperestesia, 
O Infinitésimo e o Indeterminado... 

Transponho ousadamente o átomo rude 
E, transmudado em rutilância fria, 
Encho o Espaço com a minha plenitude! 

sábado, 28 de setembro de 2013

Meu coração (Larissa Rocha)



Meu coração é como um quarto abafado
Onde há muito tempo ninguém entra
O mesmo velho perfume impregnado
Onde a dor sempre se concentra

Mas de repente alguém abre uma janela
Deixa a brisa fresca renovar o ar
Deixa entrar a luz de uma manhã bela
Então pude novamente respirar

Alguém que trouxe de volta a esperança
Levou embora o a triste lembrança
Esse alguém talvez seja Ele...

Alguém que trouxe de volta a poesia
E me mostrou como aproveitar o dia
Esse alguém só pode ser Ele!

Flor Bela Rocha

mais poemas meus aqui

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Aos ombros dele (Larissa Rocha)


Nunca me canso de olhar admirada
As curvas tênues dos ombros dele,
O tom claro da sua pele,
Visão que me deixa hipnotizada 

É então que os desejos me consomem
Quando ele despe a camisa, e com o peito desnudo
Sou capaz de entregar-me em tudo
Aos músculos fortes dos ombros desse homem.

E o desejo tanto  que quase não resisto
À tentação de beijar essa fina película
Seguir com os lábios a linha da clavícula
Até o esterno, onde repousa uma medalha do cristo!



Vozes de um túmulo (Augusto dos anjos)



Morri! E a Terra - a mãe comum - o brilho 
Destes meus olhos apagou!... Assim 
Tântalo, aos reais convivas, num festim, 
Serviu as carnes do seu próprio filho! 

Por que para este cemitério vim?! 
Por quê?! Antes da vida o angusto trilho 
Palmilhasse, do que este que palmilho 
E que me assombra, porque não tem fim! 

No ardor do sonho que o fronema exalta 
Construí de orgulho ênea pirâmide alta, 
Hoje, porém, que se desmoronou 

A pirâmide real do meu orgulho, 
Hoje que apenas sou matéria e entulho 
Tenho consciência de que nada sou! 

A efemeridade do ser humano por Augusto dos Anjos: 
Nos versos acima fica clara a visão do poeta sobre a sociedade e sobre si mesmo, o "poeta do horrível" nos brinda mais uma vez com sua linguagem ácida e cheia de escárnio. No soneto Vozes de um túmulo são expostas as fraquezas humanas "Construí de orgulho ênea pirâmide alta" em contraposição com o fatalismo da morte e a incapacidade de alcançar a parte mais profunda do ser "Tenho consciência de que nada sou!". Impregnado pelas ideias deterministas Augusto dos anjos concebe as mazelas humanas retratadas no poema à corrupção característica do espírito dos homens, portanto, criando para o leitor um cenário fúnebre e demasiadamente pessimista, o autor nos diz o quanto a carne é efêmera, certo de que na vida prevaleciam a matéria e a superficialidade, sentimentos puros só poderiam ser revelados a partir da morte.
- Larissa Rocha

Utilizado como referência o excelente texto de Aíla Sampaio: A poesia decadentista de Augusto dos Anjos (recomendo para quem quiser se aprofundar).

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Poema (Mário Cesariny)


Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco
conheço tão bem o teu corpo
sonhei tanto a tua figura
que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar
que te atravessou a cintura
tanto tão perto tão real
que o meu corpo se transfigura
e toca o seu próprio elemento
num corpo que já não é seu
num rio que desapareceu
onde um braço teu me procura

Em todas as ruas te encontro
em todas as ruas te perco

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Minha crença (Larissa Rocha)



“Eu sou teu deus”, ele me disse certa vez,
Com um ar mais arrogante que bendito
E a verdade é que eu o adoro,
Ele é meu deus e é o único no qual acredito.

E foi assim que passei a crer nesse deus
Forte e onipotente, cálido e sensual,
Rogo-lhe para levar-me ao paraíso
Divino com gosto de pecado original

Sagrada seja a luz daqueles olhos!
Ele é meu maior pecado, e única salvação
Minha perdição é em seus beijos e abraços
E amá-lo tanto é minha vocação. 

Mais poemas meus aqui
Não tenho ambições nem desejos.
Ser poeta não é uma ambição minha,
É minha maneira de estar sozinho.
(Fernando Pessoa)