sábado, 25 de outubro de 2014
quinta-feira, 24 de abril de 2014
Passou o outono (Camilo Pessanha)
Passou o outono já, já torna o frio...
- Outono de seu riso magoado.
Álgido inverno! Oblíquo o sol, gelado...
- O sol, e as águas límpidas do rio.
Águas claras do rio! Águas do rio,
Fugindo sob o meu olhar cansado,
Para onde me levais meu vão cuidado?
Aonde vais, meu coração vazio?
Ficai, cabelos dela, flutuando,
E, debaixo das águas fugidias,
Os seus olhos abertos e cismando...
Onde ides a correr, melancolias?
- E, refratadas, longamente ondeando,
As suas mãos translúcidas e frias...
sexta-feira, 11 de abril de 2014
quarta-feira, 26 de março de 2014
Ausência (Carlos Drummond de Andrade)
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
segunda-feira, 24 de março de 2014
Ariel e Caliban (Larissa Rocha)
Um deles é o sopro de ar freso em perturbada mente,
O outro transforma em cinzas meu coração ardente
Um é o meu porto seguro, tranquilo e bondoso,
O outro é a inconstância de um mar revoltoso.
Como na Tempestade de Shakespeare, eles são
Assim tão diferentes, mas dividem meu coração
Meu espírito é consumido por uma dúvida vã
E meu coração dividido entre Ariel e Caliban!
Tua voz (Larissa Rocha)
Tua voz envolve meu corpo com um abraço
E quase posso sentir tua respiração quente
Falando ao meu ouvido, tua boca bem rente,
É impossível sair deste laço…
Tua voz pronuncia o nome meu
Saboreando cada sílaba… bem devagar
É como se ela estivesse a proclamar
Algo que sempre foi teu…
Tua voz rompe o silêncio da minha mente
E logo me vejo enlouquecida,
Por tua voz confortada e aquecida,
Não me esqueço dela por mais que eu tente.
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