segunda-feira, 2 de março de 2015

domingo, 1 de março de 2015

Amor bastante (Paulo Leminski)



quando eu vi você 
tive uma idéia brilhante 
foi como se eu olhasse 
de dentro de um diamante 
e meu olho ganhasse 
mil faces num só instante 

basta um instante 
e você tem amor bastante

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Paulo Leminski Filho foi um dos mais importantes escritores brasileiros. Nascido em Curitiba (1944) ele foi poeta, romancista e tradutor. Em 1964, publica seus primeiros poemas na revista Invenção, editada por poetas concretistas, daí a influência na forma dos seus poemas. Da estética concretista, também vemos uma síntese entre linguagem coloquial e o vigor da forma, Leminski não abandona as rimas, que são essenciais para a estrutura rítmica dos seus poemas, como é possível perceber no poema acima. Outros elementos presentes em sua poesia são a eliminação de pontuação e uso exclusivo de letras minúsculas.

Referências:
<http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa2851/paulo-leminski> acessado em 01 mar 2015.



quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Sou um evadido (Fernando Pessoa)



Sou um evadido.
Logo que nasci 
Fecharam-me em mim, 
Ah, mas eu fugi. 

 Se a gente se cansa 
Do mesmo lugar, 
Do mesmo ser 
Por que não se cansar? 

 Minha alma procura-me 
Mas eu ando a monte, 
Oxalá que ela 
Nunca me encontre. 

 Ser um é cadeia, 
Ser eu é não ser. 
Viverei fugindo 
Mas vivo a valer.

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Este poema, Pessoa faz uma reflexão filosófica: só é possível viver plenamente se libertando da carcaça do "eu". isso quer dizer que o ser nada mais é que uma prisão, e estar preso a esse ser imutável é o que impede o poeta de encontrar a verdadeira liberdade ("Do mesmo ser/ Por que não se cansar?").

Além disso, ele afirma "Ser um é cadeia,/ Ser eu é não ser", esse é seu argumento para buscar uma fuga dos limites do "eu", e nota-se que para ele, a própria tentativa de fugir de si mesmo já é sua grande conquista "Viverei fugindo/ Mas vivo a valer".

Refletindo sobre o que o poema nos tenta dizer, vemos que realmente nascemos dentro de cascas onde ficamos aprisionados, contentes com nossa zona de conforto, entretanto, ninguém é imutável, nossas experiências vão nos somando e nos fazendo ver as mesmas coisas sob perspectivas diferentes, sendo assim, a melhor saída para aproveitar completamente o que a vida nos oferece é quebrar as grades da cadeia do "ser" e estar sempre em movimento, para estar enfim, livre de si. 



sábado, 10 de janeiro de 2015

Entrega (Larissa Rocha)




Para V.

No teu abraço forte e quente
Se dissipam todos os meus medos,
Minhas lágrimas se fazem segredo
Eu poderia viver assim eternamente...

Fora do teu laço, sou menina,
Que triste e desamparada, chora
As perdas e mágoas de outrora,
Mas nos teus braços minha dor termina.

E como encontrei teu abraço,
O melhor de toda minha vida!
Agora me vejo aqui rendida
Ao amor que achei no teu regaço

(Larissa Rocha)

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Ballerina (Larissa Rocha)

Olá pessoal! 2015 finalmente chegou no blog, gostaria de desejar um ótimo ano para todos e dizer que não abandonei o blog não, as postagens estão menos frequentes por causa da faculdade que tem tomado uma grande parte do meu tempo.
O primeiro poema do ano é um poema meu em homenagem a todas as bailarinas, e em geral, a maravilhosa arte de dançar! 



"Voar sempre, cansa - 
por isso ela corre 
em passo de dança" 
(Eugénia Tabosa)

Ela é um anjo na ponta dos pés
Ela é um anjo, de asas fortes e elegantes,
Com movimentos belos e graciosos
Em cima do palco, ela tem olhos brilhantes.

Ela é um anjo que pode dançar
Tem o poder de encantar toda a gente
Com seus saltos e piruetas, está quase a voar
E nada nunca a fez tão contente!

O vídeo a seguir é uma performance da minha bailarina preferida, Svetlana zakharova, vale a pena conferir: 


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"Perdido seja para nós aquele dia em que não se dançou nem uma vez!"
(Friedrich Nietzsche) 



Não tenho ambições nem desejos.
Ser poeta não é uma ambição minha,
É minha maneira de estar sozinho.
(Fernando Pessoa)