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O Amor, Meu Amor (Mia Couto)

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Nosso amor é impuro como impura é a luz e a água e tudo quanto nasce e vive além do tempo.
Minhas pernas são água, as tuas são luz e dão a volta ao universo quando se enlaçam até se tornarem deserto e escuro.
E eu sofro de te abraçar depois de te abraçar para não sofrer.
E toco-te para deixares de ter corpo e o meu corpo nasce quando se extingue no teu.
E respiro em ti para me sufocar e espreito em tua claridade para me cegar, meu Sol vertido em Lua, minha noite alvorecida.
Tu me bebes e eu me converto na tua sede. Meus lábios mordem, meus dentes beijam, minha pele te veste e ficas ainda mais despida.
Pudesse eu ser tu E em tua saudade ser a minha própria espera.
Mas eu deito-me em teu leito Quando apenas queria dormir em ti.
E sonho-te Quando ansiava ser um sonho teu.
E levito, voo de semente, para em mim mesmo te plantar menos que flor: simples perfume,

lembrança de pétala sem chão onde tombar. Teus olhos inundando os meus e a minha vida, já sem leito, vai galgando margens até tudo ser mar. E…

Amor: Uma crônica de Carlos Drummond de Andrade

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Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida. Se os olhares se cruzarem e, neste momento, houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu. Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d’água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês. Se o 1º e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Algo do céu te mandou um presente divino : O AMOR. Se um dia tiverem que pedir perdão um ao outro por algum motivo e, em troca, receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um pro outro. Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa sofrer o seu sofrimento, chorar as suas lágri…

Saudade (Gilka Machado)

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De quem é esta saudade que meus silêncios invade, que de tão longe me vem?

De quem é esta saudade, de quem?

Aquelas mãos só carícias, Aqueles olhos de apelo, aqueles lábios-desejo...

E estes dedos engelhados, e este olhar de vã procura, e esta boca sem um beijo...

De quem é esta saudade que sinto quando me vejo

Ver-te é como ter à minha frente todo o tempo (Ruy Belo)

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Ver-te é como ter á minha frente todo o tempo é tudo serem para mim estradas largas  estradas onde passa o sol poente  é o tempo parar e eu próprio duvidar mas sem pensar  se o tempo existe se existiu alguma vez  e nem mesmo meço a devastação do meu passado


Longe de ti (Larissa Rocha)

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Talvez tu precises de mim E talvez eu fizesse bem pra tua vida Quem sabe, seria só tua minha boca carmesim, E eu seria a única pra curar tua ferida. Me dói o coração estar longe de ti E logo de ti, que eu amo tanto… Queria que soubestes o carinho que sempre senti, Estou muito longe, entretanto.
Há muito tempo sofro, meu amor, Depois de tantos anos ainda não te encontrei Mas ainda te amo com o mesmo fervor
E é por esse amor antigo que não posso abandonar De ti, mesmo longe, eu sempre cuidei Longe de ti…e nascida pra te amar.
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Desconcerto (Larissa Rocha)

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Tua ausência me desconcerta, de tal jeito Que não sei se cabe mais vazio em mim, Ando perdida, quase enlouquecida Temendo que este seja o nosso fim. Busco-te incessantemente, de um jeito insano Mas o silêncio vem de todos os lados... Mais um minuto sem ti e aqui estou Pagando por todos os meus pecados
Já pensei em todas as formar de lidar Com essa dor, que é saudade infinda Mas essa agonia, só tua presença alivia... Só o timbre confortante da tua voz linda
A saudade castiga como nunca fez antes Neste momento, o silêncio grita E tua falta, já me tirou quase tudo... Só uma folha em branco espera pra ser escrita.
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Eu queria tanto (Paulo Leminski)

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eu queria tanto ser um poeta maldito  a massa sofrendo enquanto eu profundo medito 
eu queria tanto  ser um poeta social  rosto queimado  pelo hálito das multidões 
em vez  olha eu aqui  pondo sal  nesta sopa rala  que mal vai dar para dois