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Mostrando postagens com o rótulo emoção

O Amor, Meu Amor (Mia Couto)

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Nosso amor é impuro como impura é a luz e a água e tudo quanto nasce e vive além do tempo. Minhas pernas são água, as tuas são luz e dão a volta ao universo quando se enlaçam até se tornarem deserto e escuro. E eu sofro de te abraçar depois de te abraçar para não sofrer. E toco-te para deixares de ter corpo e o meu corpo nasce quando se extingue no teu. E respiro em ti para me sufocar e espreito em tua claridade para me cegar, meu Sol vertido em Lua, minha noite alvorecida. Tu me bebes e eu me converto na tua sede. Meus lábios mordem, meus dentes beijam, minha pele te veste e ficas ainda mais despida. Pudesse eu ser tu E em tua saudade ser a minha própria espera. Mas eu deito-me em teu leito Quando apenas queria dormir em ti. E sonho-te Quando ansiava ser um sonho teu. E levito, voo de semente, para em mim mesmo te plantar menos que flor: simples perfume, lembrança de pétala se...

Sou um evadido (Fernando Pessoa)

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Sou um evadido. Logo que nasci  Fecharam-me em mim,  Ah, mas eu fugi.   Se a gente se cansa  Do mesmo lugar,  Do mesmo ser  Por que não se cansar?   Minha alma procura-me  Mas eu ando a monte,  Oxalá que ela  Nunca me encontre.   Ser um é cadeia,  Ser eu é não ser.  Viverei fugindo  Mas vivo a valer. ---------------------------------- Este poema, Pessoa faz uma reflexão filosófica: só é possível viver plenamente se libertando da carcaça do "eu". isso quer dizer que o ser nada mais é que uma prisão, e estar preso a esse ser imutável é o que impede o poeta de encontrar a verdadeira liberdade (" Do mesmo ser/  Por que não se cansar?"). Além disso, ele afirma " Ser um é cadeia,/  Ser eu é não ser", esse é seu argumento para buscar uma fuga dos limites do "eu", e nota-se que para ele, a própria tentativa de fugir de si mesmo já é sua grande conquis...

Ballerina (Larissa Rocha)

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Olá pessoal!  2015 finalmente chegou no blog, gostaria de desejar um ótimo ano para todos e dizer que não abandonei o blog não, as postagens estão menos frequentes por causa da faculdade que tem tomado uma grande parte do meu tempo. O primeiro poema do ano é um poema meu em homenagem a todas as bailarinas, e em geral, a maravilhosa arte de dançar!  "Voar sempre, cansa -  por isso ela corre  em passo de dança"  (Eugénia Tabosa) Ela é um anjo na ponta dos pés Ela é um anjo, de asas fortes e elegantes, Com movimentos belos e graciosos Em cima do palco, ela tem olhos brilhantes. Ela é um anjo que pode dançar Tem o poder de encantar toda a gente Com seus saltos e piruetas, está quase a voar E nada nunca a fez tão contente! O vídeo a seguir é uma performance da minha bailarina preferida, Svetlana zakharova, vale a pena conferir:   Para mais poemas meus clique  aqui "Perdido seja para nós aquele dia ...

Simples assim...

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Ausência (Carlos Drummond de Andrade)

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Por muito tempo achei que a ausência é falta.  E lastimava, ignorante, a falta.  Hoje não a lastimo.  Não há falta na ausência.  A ausência é um estar em mim.  E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus  braços,  que rio e danço e invento exclamações alegres,  porque a ausência, essa ausência assimilada,  ninguém a rouba mais de mim.

Ariel e Caliban (Larissa Rocha)

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Um deles é o sopro de ar freso em perturbada mente, O outro transforma em cinzas meu coração ardente Um é o meu porto seguro, tranquilo e bondoso, O outro é a inconstância de um mar revoltoso. Como na Tempestade de Shakespeare, eles são Assim tão diferentes, mas dividem meu coração  Meu espírito é consumido por uma dúvida vã E meu coração dividido entre Ariel e Caliban!  Flor Bela Rocha

Infinito (Larissa Rocha)

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Após concluir a leitura de   A culpa é das estrelas  (John Green), fiquei refletindo sobre o amor e sua suposta eternidade. Não sou a pessoa mais qualificada para fazer uma resenha crítica sobre o livro (se bem que eu gostaria muito de fazê-la) mas, se me perguntassem eu diria simplesmente "arrebatador"; O assunto principal desse post é que acabei tecendo alguns versos que na verdade são uma homenagem e eu gostaria de compartilhá-los. "Alguns infinitos são maiores que outros." (Green) (fonte da imagem http://www.intrinseca.com.br/blogdasseries/2012/07/fan-arts-de-a-culpa-e-das-estrelas/) Se teu olhar é suficiente para me deixar extasiada, Vem amor, não façamos promessa alguma Olhe bem fundo nos meus olhos... não diga nada Deixe apenas eu unir minha boca a tua. Os infinitos são sempre tão ambiciosos... Não caia nessa tentação, nessa vaidade, Só me ofereça esses lábios fervorosos, Que um beijo apaixonado dura uma eternidade! Faça...

Querer e precisar (Larissa Rocha)

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O que quero e o que preciso Quase nunca coincidem Às vezes o coração fica indeciso E duas vontades colidem Preciso do que me faz bem, É assim que tudo acontece Mas estou sempre a querer algo além Daquilo que a vida me oferece. Flor Bela Rocha. Mais poemas meus  aqui

Ao luar (Augusto dos Anjos)

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Quando, à noite, o Infinito se levanta  A luz do luar, pelos caminhos quedos  Minha táctil intensidade é tanta  Que eu sinto a alma do Cosmos nos meus dedos!  Quebro a custódia dos sentidos tredos  E a minha mão, dona, por fim, de quanta  Grandeza o Orbe estrangula em seus segredos,  Todas as coisas íntimas suplanta!  Penetro, agarro, ausculto, apreendo, invado,  Nos paroxismos da hiperestesia,  O Infinitésimo e o Indeterminado...  Transponho ousadamente o átomo rude  E, transmudado em rutilância fria,  Encho o Espaço com a minha plenitude! 

Violoncelo (Camilo Pessanha)

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  Chorai, arcadas Do violoncelo, Convulsionadas. Pontes aladas De pesadelo... De que esvoaçam, Brancos, os arcos. Por baixo passam, Se despedaçam, No rio os barcos. Fundas, soluçam Caudais de choro. Que ruínas, ouçam... Se se debruçam, Que sorvedouro! Lívidos astros, Soidões lacustres... Lemes e mastros... E os alabastros Dos balaústres! Urnas quebradas. Blocos de gelo! Chorai, arcadas Do violoncelo, Despedaçadas...     Bem, não sei você, mas eu adoro música erudita. Encontrei esse poema de Camilo Pessanha que me lembrou uma sonata para piano e violoncelo de Chopin, essa música sempre me ajuda a ter inspiração e escrever meus próprios poemas então aqui vai um vídeo com a música :   

Se ele apenas (Marina Colasanti)

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  Diz a lenda que o poeta Li Po afogou-se na noite em que embriagado quis agarrar a Lua sobre o lago. É lenda, bem se vê. Pois a verdade é que a Lua teria seguido o poeta a qualquer canto se ele apenas a tivesse chamado .

Se as minhas mãos pudessem desfolhar (Federico García Lorca)

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   E u pronuncio teu nome nas noites escuras, quando vêm os astros beber na lua e dormem nas ramagens das frondes ocultas. E eu me sinto oco de paixão e de música. Louco relógio que canta mortas horas antigas. Eu pronuncio teu nome, nesta noite escura, e teu nome me soa mais distante que nunca. Mais distante que todas as estrelas e mais dolente que a mansa chuva. Amar-te-ei como então alguma vez? Que culpa tem meu coração? Se a névoa se esfuma, que outra paixão me espera? Será tranqüila e pura? Se meus dedos pudessem desfolhar a lua!!

Esta manhã encontrei o teu nome (Maria do Rosário Pedreira)

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Esta manhã encontrei o teu nome nos meus sonhos e o teu perfume a transpirar na minha pele. E o corpo doeu-me onde antes os teus dedos foram aves de verão e a tua boca deixou um rasto de canções. No abrigo da noite, soubeste ser o vento na minha camisola; e eu despi-a para ti, a dar-te um coração que era o resto da vida - como um peixe respira na rede mais exausta. Nem mesmo à despedida foram os gestos contundentes: tudo o que vem de ti é um poema. Contudo, ao acordar, a solidão sulcara um vale nos cobertores e o meu corpo era de novo um trilho abandonado na paisagem. Sentei-me na cama e repeti devagar o teu nome, o nome dos meus sonhos, mas as sílabas caíam no fim das palavras, a dor esgota as forças, são frios os batentes nas portas da manhã.

Apenas uma carta (Larissa Rocha)

Bahia, 27 de dezembro de 2012.         Obrigada por todo o tempo da tua vida que tens dedicado a mim e por todo o tempo que já sonhaste em dedicar. As lembranças continuam na minha mente pois quando estamos juntos eu desejo com cada pedaço do meu coração cuidar e precisar de ti, nunca te abandonar.    O tempo, meu amor, o tempo passa tão assustadoramente rápido, principalmente pelo futuro incerto que temos pela frente entretanto, tenho uma inocente esperança de que um dia caminharei em tua direção e nós nos abraçaremos e ficaremos assim por longos minutos, nos quais direi o quanto tu significas para mim enquanto tuas mãos gentis e leves passearão pelo contorno da minha cintura... Daria tudo para que esse momento fosse agora!     Não há nada que eu queria mais do que essa chance, uma única de te fazer feliz e amado. Juro que não te arrependerás, deixa-me ver esse sorriso lindo todos os dias e principalmente...

Versos do dia

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Poema: põe a tua mão Autor: Fernando Pessoa

Dialética (Vinicius de Moraes)

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    É claro que a vida é boa E a alegria, a única indizível emoção É claro que te acho linda Em ti bendigo o amor das coisas simples É claro que te amo E tenho tudo para ser feliz Mas acontece que eu sou triste...