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Mostrando postagens com o rótulo lirismo

Beleza (Almeida Garrett)

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Vem do amor a Beleza, Como a luz vem da chama. É lei da natureza: Queres ser bela? - ama. Formas de encantar, Na tela o pincel As pode pintar; No bronze o buril As sabe gravar; E estátua gentil Fazer o cinzel Da pedra mais dura... Mas Beleza é isso? - Não; só formosura. Sorrindo entre dores Ao filho que adora Inda antes de o ver - Qual sorri a aurora Chorando nas flores Que estão por nascer – A mãe é a mais bela das obras de Deus. Se ela ama! - O mais puro do fogo dos céus Lhe ateia essa chama de luz cristalina: É a luz divina Que nunca mudou, É luz... é a Beleza Em toda a pureza Que Deus a criou. -in "Folhas Caídas"

Passou o outono (Camilo Pessanha)

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Passou o outono já, já torna o frio... - Outono de seu riso magoado. Álgido inverno! Oblíquo o sol, gelado... - O sol, e as águas límpidas do rio. Águas claras do rio! Águas do rio, Fugindo sob o meu olhar cansado, Para onde me levais meu vão cuidado? Aonde vais, meu coração vazio? Ficai, cabelos dela, flutuando, E, debaixo das águas fugidias, Os seus olhos abertos e cismando... Onde ides a correr, melancolias? - E, refratadas, longamente ondeando, As suas mãos translúcidas e frias...

Violoncelo (Camilo Pessanha)

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  Chorai, arcadas Do violoncelo, Convulsionadas. Pontes aladas De pesadelo... De que esvoaçam, Brancos, os arcos. Por baixo passam, Se despedaçam, No rio os barcos. Fundas, soluçam Caudais de choro. Que ruínas, ouçam... Se se debruçam, Que sorvedouro! Lívidos astros, Soidões lacustres... Lemes e mastros... E os alabastros Dos balaústres! Urnas quebradas. Blocos de gelo! Chorai, arcadas Do violoncelo, Despedaçadas...     Bem, não sei você, mas eu adoro música erudita. Encontrei esse poema de Camilo Pessanha que me lembrou uma sonata para piano e violoncelo de Chopin, essa música sempre me ajuda a ter inspiração e escrever meus próprios poemas então aqui vai um vídeo com a música :   

Se ele apenas (Marina Colasanti)

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  Diz a lenda que o poeta Li Po afogou-se na noite em que embriagado quis agarrar a Lua sobre o lago. É lenda, bem se vê. Pois a verdade é que a Lua teria seguido o poeta a qualquer canto se ele apenas a tivesse chamado .

Transforma-se o amador na cousa amada (Camões)

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  Transforma-se o amador na cousa amada, Por virtude do muito imaginar; Não tenho logo mais que desejar, Pois em mim tenho a parte desejada. Se nela está minha alma transformada, Que mais deseja o corpo de alcançar? Em si somente pode descansar, Pois consigo tal alma está ligada. Mas esta linda e pura semidéia, Que, como o acidente em seu sujeito, Assim como a alma minha se conforma, Está no pensamento como idéia; O vivo e puro amor de que sou feito, Como a matéria simples busca a forma.

Versos do dia

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Texto de Luis Rodrigues

A meu favor (Alexandre O'Neill)

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    A meu favor Tenho o verde secreto dos teus olhos Algumas palavras de ódio algumas palavras de amor O tapete que vai partir para o infinito Esta noite ou uma noite qualquer A meu favor As paredes que insultam devagar Certo refúgio acima do murmúrio Que da vida corrente teime em vir O barco escondido pela folhagem O jardim onde a aventura recomeça.

Seio de virgem (Álvares de Azevedo)

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  O que eu sonho noite e dia, O que me dá poesia E me torna a vida bela, O que num brando roçar Faz meu peito se agitar, E o teu seio, donzela! Oh! quem pintara o cetim Desses limões de marfim, Os leves cerúleos veios Na brancura deslumbrante E o tremido de teus seios? Ouando os vejo, de paixão Sinto pruridos na mão De os apalpar e conter... Sorriste do meu desejo? Loucura! bastava um beijo Para neles se morrer!

To Caroline (George Gordon Byron)

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You say you love, and yet your eye No symptom of that love conveys, You say you love, yet know not why, Your cheek no sign of love betrays.   Ah! did that breast with ardour glow, With me alone it joy could know, Or feel with me the listless woe, Which racks my heart when far from thee. Whene'er we meet my blushes rise, And mantle through my purpled cheek, But yet no blush to mine replies, Nor e'en your eyes your love bespeak.   Your voice alone declares your flame, And though so sweet it breathes my name, Our passions still are not the same; Alas! you cannot love like me.   For e'en your lip seems steep'd in snow, And though so oft it meets my kiss, It burns with no responsive glow, Nor melts like mine in dewy bliss.   Ah! what are words to love like mine, Though uttered by a voice like thine, I still in murmurs must repine, And think that love can ne'er be true,   Which mee...

Versos do dia

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Poema: põe a tua mão Autor: Fernando Pessoa

Se te amo, não sei! (Gonçalves Dias)

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  Amar! se te amo, não sei. Oiço aí pronunciar Essa palavra de modo Que não sei o que é amar. Se amar é sonhar contigo, Se é pensar, velando, em ti, Se é ter-te n'alma presente Todo esquecido de mim! Se é cobiçar-te, querer-te Como uma bênção dos céus A ti somente na terra Como lá em cima a Deus; Se é dar a vida, o futuro, Para dizer que te amei: Amo; porém se te amo Como oiço dizer, — não sei.  

Foi então que o encontro (Larissa Rocha)

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  Foi então que o encontro Subitamente virou desentendimento Deixou na boca o gosto amargo De tristeza e desalento. E o que antes eram suspiros de deleite Hoje são soluços de saudade, Chegou ao fim nossa ilusão... Despertamos para dura realidade. “Não será sempre assim”, ele dissera. Mas com a distância entre nós Também, pudera! Tudo acabou como dissabor Só não acabou ainda Oh não, o nosso amor!   Mais poemas meus em http://www.astormentas.com/PT/par/poemas/Larissa%20Rocha

Cantiga (Cecília Meireles)

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Ai! A manhã primorosa do pensamento... Minha vida é uma pobre rosa ao vento. Passam arroios de cores sobre a paisagem. Mas tu eras a flor das flores, imagem! Vinde ver asas e ramos, na luz sonora! Ninguém sabe para onde vamos agora. Os jardins têm vida e morte, noite e dia... Quem conhecesse a sua sorte, morria. E é nisso que se resume o sofrimento: cai a flor, - e deixa o perfume no vento! Neste poema Cecília manifesta sensibilidade e lirismo delicado intimamente ligado a natureza (manhã, vento, flores, etc) compondo uma atmosfera de sonho. O que mais me chamou atenção na poesia acima foi a última estrofe, o perfume da flor continua existindo mesmo depois da destruição da forma que o gerou, como se fossem lembranças do passado.