Ai! A manhã primorosa do pensamento... Minha vida é uma pobre rosa ao vento. Passam arroios de cores sobre a paisagem. Mas tu eras a flor das flores, imagem! Vinde ver asas e ramos, na luz sonora! Ninguém sabe para onde vamos agora. Os jardins têm vida e morte, noite e dia... Quem conhecesse a sua sorte, morria. E é nisso que se resume o sofrimento: cai a flor, - e deixa o perfume no vento! Neste poema Cecília manifesta sensibilidade e lirismo delicado intimamente ligado a natureza (manhã, vento, flores, etc) compondo uma atmosfera de sonho. O que mais me chamou atenção na poesia acima foi a última estrofe, o perfume da flor continua existindo mesmo depois da destruição da forma que o gerou, como se fossem lembranças do passado.
Sou um evadido. Logo que nasci Fecharam-me em mim, Ah, mas eu fugi. Se a gente se cansa Do mesmo lugar, Do mesmo ser Por que não se cansar? Minha alma procura-me Mas eu ando a monte, Oxalá que ela Nunca me encontre. Ser um é cadeia, Ser eu é não ser. Viverei fugindo Mas vivo a valer. ---------------------------------- Este poema, Pessoa faz uma reflexão filosófica: só é possível viver plenamente se libertando da carcaça do "eu". isso quer dizer que o ser nada mais é que uma prisão, e estar preso a esse ser imutável é o que impede o poeta de encontrar a verdadeira liberdade (" Do mesmo ser/ Por que não se cansar?"). Além disso, ele afirma " Ser um é cadeia,/ Ser eu é não ser", esse é seu argumento para buscar uma fuga dos limites do "eu", e nota-se que para ele, a própria tentativa de fugir de si mesmo já é sua grande conquis...
olha eu aqui, voltando quase 6 meses depois do último post, como se nada tivesse acontecido... Bem, passei aqui rapidinho para deixar esse poema maravilhoso, que já foi postado aqui no blog há muitos anos, mas hoje queria repostar e fazer uma reflexão a respeito. Você já sentiu que tem sonhos grandes dentro de você, mas por algum motivo, seja interferência externa ou autosabotagem, não consegue realizá-los? "Querendo, quero o infinito. Fazendo, nada é verdade"... esses versinhos me atingiram em cheio hoje, quando por acaso esbarrei nesse poema, e precisei vir aqui postar. Era só isso mesmo que eu tinha pra hoje, vamos deixar os posts mais elaborados para outro dia, por enquanto, se deleitem com esta obra prima: Tudo que faço ou medito Fica sempre na metade. Querendo, quero o infinito. Fazendo, nada é verdade. Que nojo de mim me fica Ao olhar para o que faço! Minha alma é lúcida e rica, E eu sou um mar de sargaço – Um mar onde bóiam lentos Fragmentos de um mar de além... Vonta...
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