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Poetas para conhecer melhor - Bocage

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Continuando a nossa série de poetas para conhecer melhor durante o isolamento, vou continuar em Portugal com o poeta dessa semana: Manuel Maria Barbosa du Bocage. O poeta de hoje nasceu em Setúbal em 1765 e morreu em Lisboa em 1805. Em 1783 ele se alistou na marinha, fez o curso mas desertou no final, apesar disso foi convocado como oficial da marinha para embarcar para a Índia. Ao fugir da marinha, viveu em Macau e retornou à Portugal em 1790. Vamos conhecer um pouco mais sobre ele por suas próprias palavras, lendo o poema "Autorretrato": Autorretrato Magro, de olhos azuis, carão moreno, Bem servido de pés, meão na altura, Triste de facha, o mesmo de figura, Nariz alto no meio e não pequeno; Incapaz de assistir num só terreno, Mais propenso ao furor do que à ternura; Bebendo em níveas mãos, por taça escura, De zelos infernais letal veneno; Devoto incensador de mil deidades (Digo, de moças mil) num só momento, E somente no altar amando os frades, Eis Bocage, ...

Poetas para conhecer melhor - Fernando Pessoa

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Olá, querido leitor! Se você não estava hibernando nos últimos dias, você está ciente da pandemia de covid-19 que infelizmente assola o mundo. Como muita gente está passando esse período em casa, pensei em fazer uma série de posts especiais falando sobre alguns poetas que você deveria conhecer melhor durante esse período de isolamento. Vou começar essa série falando sobre um dos meus preferidos da vida: Fernando Pessoa 💓 Mas o que fez de Fernando Pessoa o nome da literatura portuguesa mais conhecido do mundo? Na minha opinião, é principalmente o intimismo da sua obra, o jeito que ele fala das emoções humanas e nos faz mergulhar em nós mesmos. Pessoa foi um "solitário por natureza", com pouca vida social e quase sem vida amorosa, ele era autodidata, sozinho na biblioteca estudou filosofia, sociologia, religião e é claro, literatura. (Temos aqui alguém que provavelmente não ia ter problemas com o isolamento social). A vida Fernando António Nogueira Pessoa nasceu...

Porque os outros se mascaram mas tu não (Sophia de Mello B. Andresen)

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Porque os outros se mascaram mas tu não Porque os outros usam a virtude Para comprar o que não tem perdão. Porque os outros têm medo mas tu não. Porque os outros são os túmulos caiados Onde germina calada a podridão. Porque os outros se calam mas tu não. Porque os outros se compram e se vendem E os seus gestos dão sempre dividendo. Porque os outros são hábeis mas tu não. Porque os outros vão à sombra dos abrigos E tu vais de mãos dadas com os perigos. Porque os outros calculam mas tu não.

Amor: Uma crônica de Carlos Drummond de Andrade

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Quando encontrar alguém e esse alguém fizer seu coração parar de funcionar por alguns segundos, preste atenção: pode ser a pessoa mais importante da sua vida. Se os olhares se cruzarem e, neste momento, houver o mesmo brilho intenso entre eles, fique alerta: pode ser a pessoa que você está esperando desde o dia em que nasceu. Se o toque dos lábios for intenso, se o beijo for apaixonante, e os olhos se encherem d’água neste momento, perceba: existe algo mágico entre vocês. Se o 1º e o último pensamento do seu dia for essa pessoa, se a vontade de ficar juntos chegar a apertar o coração, agradeça: Algo do céu te mandou um presente divino : O AMOR. Se um dia tiverem que pedir perdão um ao outro por algum motivo e, em troca, receber um abraço, um sorriso, um afago nos cabelos e os gestos valerem mais que mil palavras, entregue-se: vocês foram feitos um pro outro. Se por algum motivo você estiver triste, se a vida te deu uma rasteira e a outra pessoa sofrer o seu sofriment...

Eu queria tanto (Paulo Leminski)

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eu queria tanto ser um poeta maldito  a massa sofrendo enquanto eu profundo medito  eu queria tanto  ser um poeta social  rosto queimado  pelo hálito das multidões  em vez  olha eu aqui  pondo sal  nesta sopa rala  que mal vai dar para dois

A ausente (Vinicius de Moraes)

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Amiga, infinitamente amiga Em algum lugar teu coração bate por mim Em algum lugar teus olhos se fecham à ideia dos meus. Em algum lugar tuas mãos se crispam, teus seios Se enchem de leite, tu desfaleces e caminhas Como que cega ao meu encontro... Amiga, última doçura A tranquilidade suavizou a minha pele E os meus cabelos. Só meu ventre Te espera, cheio de raízes e de sombras. Vem, amiga Minha nudez é absoluta Meus olhos são espelhos para o teu desejo E meu peito é tábua de suplícios Vem. Meus músculos estão doces para os teus dentes E áspera é minha barba. Vem mergulhar em mim Como no mar, vem nadar em mim como no mar Vem te afogar em mim, amiga minha Em mim como no mar... Uma pequena homenagem ao centenário de Vinicius de Moraes, mais informações no site  http://www.viniciusdemoraes.com.br/pt-br  

Perdidamente Florbela

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"E as minhas mãos, uns pálidos veludos, traçam gestos de sonhos pelo ar..." Eu assisti à minissérie "Perdidamente Florbela" que é uma biografia da maravilhosa poetisa Florbela Espanca, esta é a história de uma mulher "apaixonada e que apaixonou" e me deixou, sem dúvidas, ainda mais apaixonada por esse grande nome da poesia portuguesa!  Um retrato da vida íntima de Florbela, com todos seus escândalos e paixões, eis aí uma mulher que viveu intensamente e com uma sede de amar. Seu sofrimento e seus conflitos internos, assim como todas as polêmicas que ainda cercam sua vida foram contadas de uma forma belíssima, e só poderia ser . Com direção de Vicente Alves do ó e estrelando Dalila Carmo no papel de Florbela, quem quiser conferir já está disponível no youtube a minissérie em três partes:   aqui Eu (Florbela Espanca) Eu sou a que no mundo anda perdida,  Eu sou a que na vida não tem norte,  Sou a irmã do Sonho, e desta sorte  Sou...

Se ele apenas (Marina Colasanti)

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  Diz a lenda que o poeta Li Po afogou-se na noite em que embriagado quis agarrar a Lua sobre o lago. É lenda, bem se vê. Pois a verdade é que a Lua teria seguido o poeta a qualquer canto se ele apenas a tivesse chamado .

Original é o poeta (Ary dos Santos)

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  Original é o poeta que se origina a si mesmo que numa sílaba é seta noutro pasmo ou cataclismo o que se atira ao poema como se fosse um abismo e faz um filho ás palavras na cama do romantismo. Original é o poeta capaz de escrever um sismo. Original é o poeta de origem clara e comum que sendo de toda a parte não é de lugar algum. O que gera a própria arte na força de ser só um por todos a quem a sorte faz devorar um jejum. Original é o poeta que de todos for só um. Original é o poeta expulso do paraíso por saber compreender o que é o choro e o riso; aquele que desce á rua bebe copos quebra nozes e ferra em quem tem juízo versos brancos e ferozes. Original é o poeta que é gato de sete vozes. Original é o poeta que chegar ao despudor de escrever todos os dias como se fizesse amor. Esse que despe a poesia como se fosse uma mulher e nela emprenha a alegria de ser um homem qualquer.

Por mim (Álvares de Azevedo)

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  Teus negros olhos uma vez fitando Senti que luz mais branda os acendia, Pálida de langor, eu vi, te olhando, Mulher do meu amor, meu serafim, Esse amor que em teus olhos refletia... Talvez! - era por mim? Pendeste, suspirando, a face pura, Morreu nos lábios teus um ai perdido... Tão ébrio de paixão e de ventura! Mulher de meu amor, meu serafim, Por quem era o suspiro amortecido? Suspiravas por mim?... Mas... eu sei!... ai de mim? Eu vi na dança Um olhar que em teus olhos se fitava... Ouvi outro suspiro... d'esperança! Mulher do meu amor, meu serafim, Teu olhar, teu suspiro que matava... Oh! não eram por mim.

O primeiro encontro (Larissa Rocha)

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  Se meus olhos cegos de paixão Encontrarem com os teus Nesse dia... Ai meu deus! O que eles dirão? Quando eu finalmente encontrar Teus olhos verdes-claros De beleza e brilho raros Ficarei pálida como o luar. No acelerar do coração Quando as mãos se unirem E se as palavras sumirem? O que faremos então? No calor da tua tez Deslizo os dedos vacilantes Até teus lábios delirantes Suspirarem de languidez! Da palavra já esquecida Ficará claro o desejo... Dar-te-ei só um beijo, O melhor de tua vida!   Mais poemas meus em http://www.astormentas.com/PT/par/poemas/Larissa%20Rocha 

Desejo (Casimiro de Abreu)

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Se eu soubesse que no mundo Existia um coração, Que só por mim palpitasse De amor em terna expansão; Do peito calara as mágoas, Bem feliz eu era então! Se essa mulher fosse linda Como os anjos lindos são, Se tivesse quinze anos, Se fosse rosa em botão, Se inda brincasse inocente Descuidosa no gazão; Se tivesse a tez morena, Os olhos com expressão, Negros, negros, que matassem, Que morressem de paixão, Impondo sempre tiranos Um jugo de sedução; Se as tranças fossem escuras, Lá castanhas é que não, E que caíssem formosas Ao sopro da viração, Sobre uns ombros torneados, Em amável confusão; Se a fronte pura e serena Brilhasse dinspiração, Se o tronco fosse flexível Como a rama do chorão, Se tivesse os lábios rubros, Pé pequeno e linda mão; Se a voz fosse harmoniosa Como dharpa a vibração, Suave como a da rola Que geme na solidão, Apaixonada e sentida Como do bardo a canção; E se o peito lhe ondulasse Em suave ondulação, Ocultando em brancas vestes Na mais branda comoção Tesouros de seio...

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior (Florbela espanca)

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Ser poeta é ser mais alto, é ser maior Do que os homens! Morder como quem beija! É ser mendigo e dar como quem seja Rei do Reino de Aquém e de Além Dor! É ter de mil desejos o esplendor E não saber sequer que se deseja! É ter cá dentro um astro que flameja, É ter garras e asas de condor! É ter fome, é ter sede de Infinito! Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim... É condensar o mundo num só grito! E é amar-te, assim, perdidamente... É seres alma, e sangue, e vida em mim E dizê-lo cantando a toda a gente!