terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Para quê?! (Florbela Espanca)



Tudo é vaidade neste mundo vão…
Tudo é tristeza, tudo é pó, é nada!
E mal desponta em nós a madrugada,
Vem logo a noite encher o coração!

 Até o amor nos mente, essa canção
Que o nosso peito ri à gargalhada,
Flor que é nascida e logo desfolhada,
Pétalas que se pisam pelo chão!…

 Beijos de amor! Pra quê?! …
Tristes vaidades! Sonhos que logo são realidades,
Que nos deixam a alma como morta!

 Só neles acredita quem é louca!
Beijos de amor que vão de boca em boca,
Como pobres que vão de porta em porta!…

2 comentários:

  1. Ao menos por hoje, sempre amamos para sempre.
    GK

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  2. Quase toco de facto naquilo que penso
    Mas se penso de facto aonde toco
    Não toco aonde de facto penso
    Nem penso naquilo que toco de facto

    O facto de sentir e pensar
    Não acalma nem adensa
    O viver, a urgência e a pressa da alma em chegar
    E Ninguém anda tão depressa

    Como o pensamento
    Sem indicar o sentido sem sentido do sentir
    Sentido,sentir,
    Sentir tudo de todas as formas
    E o conteúdo do sentir sem falta
    porque até o sentir nos mente

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Não tenho ambições nem desejos.
Ser poeta não é uma ambição minha,
É minha maneira de estar sozinho.
(Fernando Pessoa)