quarta-feira, 11 de abril de 2012

Missa dos inocentes (Mário Quitana)


Para todos os poetas que já passaram por isso...
 
 
Se não fora abusar da paciência divina
Eu mandaria rezar missa pelos meus poemas que não conseguiram
ir além da terceira ou quarta linha,
Vítimas dessa mortalidade infantil que, por ignorância dos pais,
Dizima as mais mais inocentes criaturinhas, as pobres...
Que tinham tanto azul nos olhos,
Tanto que dar ao mundo!
Eu mandaria rezar o requiém mais profundo
Não só pelos meus
Mas por todos os poemas inválidos que se arastam pelo mundo
E cuja a comovedora beleza ultrapassa a dos outros
Porque está, antes e depois de tudo,
No seu inatingível anseio de beleza!
(Mário Quitana)

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Não tenho ambições nem desejos.
Ser poeta não é uma ambição minha,
É minha maneira de estar sozinho.
(Fernando Pessoa)