segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Soneto de amor (José Régio)

 
Não me peças palavras, nem baladas,
Nem expressões, nem alma...Abre-me o seio,
Deixa cair as pálpebras pesadas,
E entre os seios me apertes sem receio.

Na tua boca sob a minha, ao meio,
Nossas línguas se busquem, desvairadas...
E que os meus flancos nus vibrem no enleio
Das tuas pernas ágeis e delgadas.

E em duas bocas uma língua..., - unidos,
Nós trocaremos beijos e gemidos,
Sentindo o nosso sangue misturar-se.

Depois... - abre os teus olhos, minha amada!
Enterra-os bem nos meus; não digas nada...
Deixa a Vida exprimir-se sem disfarce!
 
José Régio foi escritor, historiador da literatura e principal teórico do grupo que ficou conhecido como Presencista (2ª geração do mordernismo português 1927-1940). Esses escritores não foram influenciados pelo espírito da ruptura com o passado que caracterizou a 1ª geração modernista portuguesa, portanto, este poema mostra um forte vínculo com a tradição finissecular do Simbolismo/Decadentismo. Rejeitando as propostas mais radicais do Orfismo e da denúncia social, José Régio cria uma litaratura mais introspectiva e individualista, voltada para o seu próprio "eu".
 
 
 

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Não tenho ambições nem desejos.
Ser poeta não é uma ambição minha,
É minha maneira de estar sozinho.
(Fernando Pessoa)