segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Vozes de um túmulo (Augusto dos anjos)



Morri! E a Terra - a mãe comum - o brilho 
Destes meus olhos apagou!... Assim 
Tântalo, aos reais convivas, num festim, 
Serviu as carnes do seu próprio filho! 

Por que para este cemitério vim?! 
Por quê?! Antes da vida o angusto trilho 
Palmilhasse, do que este que palmilho 
E que me assombra, porque não tem fim! 

No ardor do sonho que o fronema exalta 
Construí de orgulho ênea pirâmide alta, 
Hoje, porém, que se desmoronou 

A pirâmide real do meu orgulho, 
Hoje que apenas sou matéria e entulho 
Tenho consciência de que nada sou! 

A efemeridade do ser humano por Augusto dos Anjos: 
Nos versos acima fica clara a visão do poeta sobre a sociedade e sobre si mesmo, o "poeta do horrível" nos brinda mais uma vez com sua linguagem ácida e cheia de escárnio. No soneto Vozes de um túmulo são expostas as fraquezas humanas "Construí de orgulho ênea pirâmide alta" em contraposição com o fatalismo da morte e a incapacidade de alcançar a parte mais profunda do ser "Tenho consciência de que nada sou!". Impregnado pelas ideias deterministas Augusto dos anjos concebe as mazelas humanas retratadas no poema à corrupção característica do espírito dos homens, portanto, criando para o leitor um cenário fúnebre e demasiadamente pessimista, o autor nos diz o quanto a carne é efêmera, certo de que na vida prevaleciam a matéria e a superficialidade, sentimentos puros só poderiam ser revelados a partir da morte.
- Larissa Rocha

Utilizado como referência o excelente texto de Aíla Sampaio: A poesia decadentista de Augusto dos Anjos (recomendo para quem quiser se aprofundar).

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Não tenho ambições nem desejos.
Ser poeta não é uma ambição minha,
É minha maneira de estar sozinho.
(Fernando Pessoa)