sábado, 25 de agosto de 2012

Pálida à luz da lâmpada sombria (Álvares de Azevedo)

 
Pálida à luz da lâmpada sombria,
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!

Era a virgem do mar, na escuma fria
Pela maré das águas embalada!
Era um anjo entre nuvens d’alvorada
Que em sonhos se banhava e se esquecia!

Era mais bela! O seio palpitando...
Negros olhos as pálpebras abrindo...
Formas nuas no leito resvalando...

Não te rias de mim, meu anjo lindo!
Por ti – as noites eu velei chorando,
Por ti – nos sonhos morrerei sorrindo!

Publicado no livro Poesias de Manuel Antônio Álvares de Azevedo (1853).

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Não tenho ambições nem desejos.
Ser poeta não é uma ambição minha,
É minha maneira de estar sozinho.
(Fernando Pessoa)