domingo, 9 de dezembro de 2012

A bela encantada (Joaquim Manuel de Macedo)

 
(...)

Se a visses... tão bela!... de branco vestida,
Coas negras madeixas no colo a ondear,
Tão só, qual princesa de um trono abatida,
Cismando ao luar...

Se a visses... tão branca, da lua ao palor
Uma harpa sonora então dedilhar,
E à margem do lago ternuras de amor
Essa harpa entornar...

Se então tu a visses... tão branca e tão bela
Com a harpa inclinada no seio ao revés,
Vertendo harmonias, com a lua sobre ela,
E o lago a seus pés...

Se a visses... não vejas, incauto mortal;
Ah! foge! ind'é tempo; não pares aqui;
Não fiques num sítio que é sítio fatal;
Se não — ai de ti!...

Não vejas a bela, que em vê-la há perigo;
Estila dos lábios amávio traidor;
Não vejas!... se a vires... — eu sei o que digo!... -
Tu morres de amor!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Não tenho ambições nem desejos.
Ser poeta não é uma ambição minha,
É minha maneira de estar sozinho.
(Fernando Pessoa)