sábado, 3 de agosto de 2013

Sem remédio (Florbela Espanca)



Aqueles que me têm muito amor 
Não sabem o que sinto e o que sou... 
Não sabem que passou, um dia, a Dor 
À minha porta e, nesse dia, entrou. 

E é desde então que eu sinto este pavor, 
Este frio que anda em mim, e que gelou 
O que de bom me deu Nosso Senhor! 
Se eu nem sei por onde ando e onde vou!! 

Sinto os passos de Dor, essa cadência 
Que é já tortura infinda, que é demência! 
Que é já vontade doida de gritar! 

E é sempre a mesma mágoa, o mesmo tédio, 
A mesma angústia funda, sem remédio, 
Andando atrás de mim, sem me largar! 

2 comentários:

  1. Sinto no meu ser o doce a mansso
    que de verdade não posso ver
    pois o mar de sal não me dá descanso
    aos olhos sem o olhar dentro dele ter

    (Jorge Santos)

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  2. Belo poema, cheio de sensibilidade. Parabéns e obrigada pela participação, amigo.
    abraço

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Não tenho ambições nem desejos.
Ser poeta não é uma ambição minha,
É minha maneira de estar sozinho.
(Fernando Pessoa)