terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Versos íntimos (Augusto dos Anjos)

Hoje vou falar um pouco do pré modernismo, no início do século XX a arte no Brasil seguia o modelo que vinha da Europa, era o momento de buscar um conhecimento mais real e profundo das condições de vida que podiam ser observadas em um país tão grande como o nosso, por isso a produção literária foi fragmentada e vários autores escreviam sobre suas diferentes regiões. É impossível tratar o pré modernismo como uma escola literária, ele é um período de transição que conserva várias tendências estéticas (parnasianismo, simbolismo). Como não existe um padrão estético para a produção literária adota-se um principio cronológico : começa em 1902 com a publicação de Os Sertões e 1922 semana de arte moderna. Os principais autores do pré modernismo são Euclides da Cunha, Graça Aranha e Augusto dos Anjos. No poema a seguir podemos perceber a métrica e rima rígidas típicas do parnasianismo.


Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão — esta pantera —
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!


(Augusto dos Anjos)

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Não tenho ambições nem desejos.
Ser poeta não é uma ambição minha,
É minha maneira de estar sozinho.
(Fernando Pessoa)