sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Alma minha gentil, que te partiste

Camões é o maior poeta lírico do classicismo português. No seguinte soneto percebemos a sua genialidade em combinar a forma rígida do classicismo com o tema do amor platonico de um jeito comovente. Ele usa o eufemismo para se referir à morte ("Repousa lá no Céu eternamente) , a amada foi transcedentalizada no verso "Se lá no assento etéreo, onde subiste".


Alma minha gentil, que te partiste
Tão cedo desta vida, descontente,
Repousa lá no Céu eternamente,
E viva eu cá na terra sempre triste.

Se lá no assento etéreo, onde subiste,
Memória desta sida se consente,
Não te esqueças daquele amor ardente
Que já nos olhos meus tão puro viste.

E se vires que pode merecer-te
Alguma cousa a dor que me ficou
Da mágoa, sem remédio, de perder-te,

Roga a Deus, que teus anos encurtou,
Que tão cedo de cá me leve a ver-te,
Quão cedo de meus olhos te levou
(Camões)

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Não tenho ambições nem desejos.
Ser poeta não é uma ambição minha,
É minha maneira de estar sozinho.
(Fernando Pessoa)