quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Ismália

Este é um poema simbolista como podemos perceber pelo subjetivismo, a descrição de Ismália faz nos sentirmos como num sonho, a personagem transporta-se para outra realidade que é o transedentalismo, além da preferência pela sugestão por exemplo: percebemos que Ismália se atirou da torre, se suicidou, mas o poeta descreve esse fato de maneira tão vaga e imprecisa que os não acostumados com poesia talvez precisem ler mais de uma vez para interpretar.


Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...
(Alphonsus de Guimaraens)

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Não tenho ambições nem desejos.
Ser poeta não é uma ambição minha,
É minha maneira de estar sozinho.
(Fernando Pessoa)