sábado, 2 de junho de 2012

Vaidade, tudo vaidade! (António Nobre)


Vaidade, meu amor, tudo vaidade!
Ouve: quando eu, um dia, for alguem,
Tuas amigas ter-te-ão amizade,
(Se isso é amizade) mais do que, hoje, têm.

Vaidade é o luxo, a gloria, a caridade,
Tudo vaidade! E, se pensares bem,
Verás, perdoa-me esta crueldade,
Que é uma vaidade o amor de tua mãe...

Vaidade! Um dia, foi-se-me a Fortuna
E eu vi-me só no mar com minha escuna,
E ninguem me valeu na tempestade!

Hoje, já voltam com seu ar composto,
Mas eu, ve lá! eu volto-lhes o rosto...
E isto em mim não será uma vaidade?


António Nobre é poeta português, nascido no Porto em 1867. Sua obra está incluida no ultra-romantismo e no simbolismo da geração finissecular do século XIX. Faleceu com apenas 33 anos vítima de tuberculose super romantico!.  Seus poemas influenciaram e serviram de inspiração para vários outros poetas, principalmente sua compatriota e minha queridíssima: Florbela Espanca, que escreveu o poema A Anto em homenagem a ele. Outra homenagem foi feita pelo brasileiro Manuel Bandeira no poema sugestivamente entitulado A António Nobre.


2 comentários:

  1. Larissa Rocha, parabens! Você cria uma coletânea de Poemas não só para satisfazer "seu gosto", mas para divulgar para tanta gente: o que existe de melhor.
    O Blogger "Anînomos da Poesia e da Arte" te parabeniza, e terá o prazer de buscar subsídios e inspiração no teu Blogger... Uma novidade diferente: sem mencionar meu interesse em tuas próprias poesias.
    Te felicito pelo teu bom gosto:
    Dr, Ademar Raimundo de Barros.

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  2. Obrigada pelas palavras, é uma honra tua visita no meu blog. Meu objetivo é exatamente levar a poesia para quem precisa dela.
    Até.

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Não tenho ambições nem desejos.
Ser poeta não é uma ambição minha,
É minha maneira de estar sozinho.
(Fernando Pessoa)